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TIRADENTES

Atualizado: 16 de jun. de 2020

Uma poema de Manuel Rosa de Almeida sobre a nossa praça…


Em que ponto do mundo

Você pisa em tapete amarelo

Em agosto de ipês chovido

Sob um telhado de espinhos?

O relógio de sol, singelo

Contempla a catedral ao fundo

E ouve, por dores transido

As tristes badaladas do sino?


Em que parte do Brasil

Forma-se o grupo insólito

Peixoto aponta sua avenida,

Vargas faz gesto contido, falso

Benjamin em alto granito

Sem perceber que a medida

Deste nosso povo servil

É o alferes em seu cadafalso.

Em que espaço da cidade,

Mendigos em tudo pensativos

Olhando o ônibus verde

No passeio a outros destinado

E o moleque ligeiro e ativo

Avança sobre o sorvete

Da menina rica, sem cuidado,

Deixando atrás o riso e a saudade.


Em que remoto planeta

Caminho em piso de vidro

Sobre relíquias antigas

Mas estou com a cabeça na lua

Tenho capturado o ouvido

Por um pregão, quase cantiga

Que vem subindo da rua

Borboleta e cobra! Borboleta...


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