Toni Reis e David Harrad: O amor que nasceu no metrô e mudou a nossa história
- TONI REIS

- há 1 dia
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Toni Reis e David Harrad: De um flerte audacioso a um marco na Justiça Brasileira
Apresentação
Antes de se tornarem pilares da luta pelos direitos LGBTQIA+ no Brasil, Toni Reis e David Harrad foram apenas dois jovens que se cruzaram na estação de metrô mais profunda de Londres. O que começou com uma abordagem audaciosa e bem-humorada transformou-se em uma parceria de 36 anos que desafiou a justiça, mudou leis e ajudou a redesenhar o conceito de família no país. Os relatos a seguir mostram que, para o casal, o afeto sempre foi a primeira e mais poderosa forma de resistência.
Dois Momentos na Vida de Toni e David
Highgate Station, London (1990)
Tudo começou na Highgate Station, a estação mais profunda de Londres… Sim, minha gente: enquanto uns perdem a estação, eu encontrei foi um marido.
Entre uma parada e outra, eu, Toni Reis, soltei a pergunta mais direta da história:
— Do you wanna be my husband forever? (Você quer ser meu marido para sempre?)
Ele sorriu e respondeu:
— I can’t… I’m a married man. (Não posso... Sou um homem casado.)
E eu, sem perder a elegância (nem a coragem), disse:
— I’m not jealous… (Eu não sou ciumento...)
Pronto. Ali já dava para ver que essa história não seria comum. O inglês tímido — David Ian Harrad — acabou atravessando o oceano, fincando raízes no Brasil e construindo comigo uma vida inteira: amor, três filhos, militância e muita história para contar. Neste ano, completamos 36 anos juntos — bodas de cedro. Queremos ideias de como comemorar, porque a agenda está daquele jeito: eu em Brasília e depois nas Quedas do Iguaçu… mas juntos, sempre in love.
Moral da história: às vezes você entra no metrô só para ir para o trabalho… e sai de lá com um marido (mesmo que ele diga que não pode).

Orgulho de Ser o Que É (Curitiba, 2026)
Passaram-se décadas. Alguns cabelos mudaram de cor. Algumas rugas chegaram sem pedir licença. O mundo girou, governos passaram, direitos foram conquistados e outros precisaram ser defendidos novamente. Mas uma coisa permaneceu firme: a coragem de viver a verdade.
Orgulho, para nós, nunca foi sinônimo de superioridade. Orgulho é sinônimo de ter:
Ter coragem quando mandavam esconder.
Ter amor quando pregavam o ódio.
Ter esperança quando diziam que não havia futuro.
Ter voz quando tentavam nos silenciar.
Ter memória para honrar quem veio antes.
Ter disposição para continuar lutando por quem virá depois.
Olho para o início da nossa jornada e vejo dois rapazes sonhando com um país mais justo. Olho para o espelho hoje e vejo dois senhores que continuam acreditando exatamente na mesma coisa: ninguém deveria ser discriminado por ser quem é, por amar quem ama ou por pensar diferente.
A filosofia talvez explique isso melhor do que a política: a vida não é medida pelos anos que passam, mas pela autenticidade com que atravessamos o tempo. E, convenhamos, existe uma ironia divertida nisso. Antes éramos jovens tentando mudar o mundo. Hoje continuamos tentando, só que com mais experiência, alguns remédios na mochila e um pouco mais de cuidado com a coluna.
Junho é o mês da memória, da resistência, da diversidade e do amor. Viva todas as pessoas que escolheram viver sem vergonha de existir. Porque, no fim das contas, o amor pode até envelhecer no calendário, mas nunca envelhece no coração.

Biografia dos Autores
Toni Reis é professor, doutor em Educação e um dos principais nomes do ativismo LGBTQIA+ na América Latina. Ao lado de seu marido, o britânico David Ian Harrad, construiu uma das trajetórias de maior impacto social e jurídico no Brasil. Juntos, foram protagonistas de marcos históricos do país:
Pioneirismo Legal: Primeiros parceiros homoafetivos a terem a união estável reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011.
Direito à Família: Conquistaram o primeiro caso de adoção por casal do mesmo sexo com decisão definitiva da Justiça brasileira, sendo pais de Alyson, Jessica e Filipe.
Construção Institucional: Toni fundou o Grupo Dignidade em 1992 em Curitiba — cidade que serve de base para a família e onde frequentemente são vistos na tradicional Boca Maldita, ou almoçando a feijoada dos sábados no restaurante Bife Sujo. Preside a Aliança Nacional LGBTI+ e coordena a Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH).
Leia também no Dialéticos: O cinema e o preconceito. Leia nossa crítica do filme The Sinners.










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