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TRANSPORTE COLETIVO


A importância da cobrança proporcional


Imagem por Pixabay



Um assunto eternamente polêmico é a tarifa do transporte coletivo. Atualmente, em Curitiba, a passagem custa R$ 5,50. Isso dá R$ 11,00 por dia num trajeto ida e volta. A maioria das pessoas não pega ônibus todos os dias do mês, mas vamos arredondar os cálculos em 30 dias/mês. Seriam, nesse caso, R$ 330,00 mensais apenas em transporte. Esse valor é quase um terço do salário-mínimo vigente. Lembrando que há quem precise pagar duas tarifas pra ir e mais duas para voltar.

Muitas ideias surgem no sentido de diminuir os custos do transporte coletivo, mas poucas vezes vemos medidas serem tomadas apenas com o objetivo de melhorar a experiência para o usuário. A ideia que venho apresentar não é nova, apenas o modo a fazê-la. Vamos tomar por base a linha Santa Cândida – Capão Raso. São R$ 5,50 para atravessar boa parte da cidade de norte a sul. Mas qual é o sentido de alguém embarcar no Santa Cândida, descer no terminal do Boa Vista e pagar o mesmo valor que outro alguém pagou para usufruir o trajeto completo? A linha tem algo em torno de vinte a trinta paradas, então por que o valor é igual para quem desce nas primeiras? Muito mais justo seria a cobrança proporcional. Como disse, o debate é antigo, mas geralmente esbarrava na logística de como seria a implementação. Logicamente, a falta de interesse do poder público e das empresas terceirizadas não ajudava nem um pouco a embalar a ideia.

Há, porém, um fator que mudou muito nos últimos anos. A tecnologia. Já podemos acompanhar, em nossos smartphones, o horário e a localização em tempo real do ônibus desejado. Aguardamos ouvindo música ou notícias com fones wireless, e pagamos a passagem apenas aproximando o cartão do leitor, não usamos mais fichas ou dinheiro vivo. Sendo assim, fica evidente a facilidade em colocar a ideia em prática, basta querer. Ao encostar o cartão de usuário no leitor, este ficaria emparelhado ao ônibus pela proximidade (como a tecnologia bluetooth, por exemplo) e, ao desembarcar, desemparelharia, em função da perda de conectividade, executando a cobrança do trajeto percorrido. Deste modo, uma viagem do Santa Cândida ao Boa Vista custaria R$ 1,00. Até a Estação Central daria R$ 2,50. Quatro reais na Praça do Japão, e assim por diante, até a cobrança integral da passagem no destino final.

Em tempos de crise, o cidadão comum e trabalhador sempre sofre prejuízos em todos os aspectos possíveis. A inflação atingiu dois dígitos nos últimos doze meses, “comendo” dez por cento do salário do povo. Locomover-se está mais caro, alimentar-se está mais caro. Basicamente tudo está mais caro. Em meio a um mar de más notícias diárias, a medida apresentada viria como um alívio para a população, podendo ainda servir como incentivo a mais pessoas utilizarem o transporte público. Confirmado este efeito, o prejuízo das terceirizadas seria menor do que o montante previamente alegado. Além disso, outros benefícios colaterais também seriam percebidos. Com mais pessoas utilizando o transporte público, menos carros circulariam. Isso traz vários efeitos positivos, como diminuição de engarrafamentos, de emissões gasosas, de poluição sonora, de acidentes, etc. Consequentemente, menos mortos e feridos, diminuindo ainda os gastos públicos com os acidentados. O tempo de deslocamento dos ônibus seria menor. As pessoas teriam uma melhora na qualidade de vida, que é, afinal, o que realmente importa. Como dito anteriormente, é possível e relativamente simples, basta querer.

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