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UMA PORTA DESNECESSARIAMENTE ABERTA

Potencial gatilho à pedofilia é desapercebidamente lícito e tolerado.



Há muitas atividades hediondas neste triste mundo em que vivemos. Escravidão e tortura são fortes candidatas ao primeiro lugar. Particularmente, vejo a pedofilia no topo deste famigerado ranking. Isso porque é a única cujo dolo está obrigatoriamente vinculado às crianças. Seres em formação física, mental, psicológica, espiritual, etc, que buscam referência e refúgio justamente nas pessoas responsáveis por mais de 70% dos casos registrados no Brasil. Sim, quase três quartos dos casos são cometidos por pais, mães, padrastos, e outros parentes próximos das vítimas. Justamente quem mais deveria protegê-las.

Qual é o percentual de ocorrências que são descobertas? Imagino que não muito alto. E dos casos descobertos, quantos chegam a ser registrados? De novo, provavelmente não muitos. E, mesmo assim, somente em 2018, o Brasil registrou 32 mil casos. Contando a subnotificação, este número deve beirar, se não passar, 100 mil. Em um ano. Em apenas um país. Crianças que vão crescer e se tornar adultas com sabe-se lá quais e quantos problemas psicológicos, a gravidade deles, e a influência na vida de cada uma. Danos irreparáveis, que certamente influem em outras estatísticas, como suicídio, violência doméstica, estupro, depressão, overdose, etc.

Muitas campanhas são feitas para proteger os menores. Canais de denúncias são amplamente divulgados. A temática é abordada em diversos livros e filmes, e há um consenso praticamente mundial, excetuando poucos países e culturas, em sua condenação. Há, porém, um fato relevante ao contexto que é totalmente negligenciado. A infantilização como fantasia sexual é explorada com normalidade, e pouco, ou nada, combatida. Isso sempre me deixou perplexo, pois me parece muito óbvio que alimentar esse tipo de fetiche é nocivo à luta contra a pedofilia. Mesmo assim, não raro vemos em seriados e/ou filmes a utilização da fantasia de “garota de colégio católico” como maneira aceitável de sensualização. Semelhante acontece quando alguma personagem faz tranças com lacinhos e chupa pirulito como recurso de sedução. Isso é perturbadoramente aceito em nossa cultura ocidental. Não se trata de puritanismo. Qual é o objetivo de vestir modelos de 20 anos de idade como se tivessem 10, 12, mas com corpo e atitudes de mulher? Revistas usam essa temática para ensaios sensuais, adicionando ainda ao “cenário” ursinhos de pelúcia e brinquedos. Várias mulheres, famosas inclusive, como Marina Ruy Barbosa, já fizeram algum ensaio ao estilo “Lolita”. Esse termo é baseado em um livro da década de 50 em que um homem é obcecado sexualmente em uma menina de 12 anos. A obra é classificada como “romance”, cita como a menina “seduziu” o pobre homem, e é considerada um clássico da literatura, aparecendo até em listas de top 100 melhores obras.

Como é possível que a sexualização da inocência da infância seja tolerada pelas mesmas pessoas que demonizam a pedofilia? Esse tipo de conteúdo só serve de alimento a pedófilos em potencial, e é inútil em qualquer contexto. É uma porta de entrada que, mesmo que seja pouco acessada, é desnecessária e maléfica, pois permite disparar o gatilho de alguém que até então era inofensivo. Não é possível que mais ninguém veja que isso é danoso e não traz benefício algum. Nunca vi debates a respeito. É preciso que as pessoas percebam e abominem essa aberração, para que um dia ela seja banida através de criminalização em nosso país. Todo e qualquer esforço é bem-vindo contra um problema tão grave como esse, e muito ajuda quem não atrapalha.

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