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BOLETIM FOCUS ATACA NOVAMENTE



As pitonisas do mercado voltam à cena do crime. A previsão é: o país não vai dar certo.


Blog Conexão Carreira / ESEG


Começo de ano, é tempo do Boletim Focus, em que o Banco Central coleta previsões dos banqueiros e financistas (as cem maiores instituições do mercado financeiro). A regra é que estes gênios errem as previsões. Sua sesquipedal ignorância tornou-se anedótica. Infelizmente para eles, suas previsões anuais são sempre desmentidas pela realidade. No ano passado previam que a economia cresceria 0,8%, a inflação iria para 5,31%, a taxa de juros em 12,25%, e o Ibovespa em 126 mil pontos. O PIB cresceu 3%, a inflação ficou em 4%, a taxa de juros 11,75%, o Ibovespa bateu o recorde histórico e está em 132 mil pontos.


Os criminosos agora voltam à cena do crime, confiantes na falta de polícia e no esquecimento da opinião pública.


Por que erram tanto, esses banqueiros e financistas? Esta polêmica de economistas é uma bizantinice semelhante a brigas teológicas da Idade Média, ou brigas entre as correntes petistas. Nenhum deles tem razão, ou se tiverem, só se descobrirá anos depois. Mas vou dar meus palpites sobre estes pseudossábios.


Primeiro, trata-se de uma gente que vive de costas para o país. Os farialaimers são, por definição, gente que não conhece o Brasil em que vive. Afinal, eles moram no Brazil. Assim como desprezam o seu povo (para eles uma negrada ignorante e preguiçosa), desconhecem a realidade econômica dos comerciantes, empresários, fazendeiros e trabalhadores do Brasil. Ou seja, o mundo real.


Este viés se mostra também na política e na administração pública. Como não conhecem o Brasil, e vivem em um mundinho de faz de conta, seu conhecimento político e administrativo não ultrapassa os preconceitos de sua casta. Qualquer pessoa isenta que acompanha a vida política sabia que o presidente eleito Lula, pela sua história e ligações, jamais provocaria uma ruptura no cenário econômico e político. Mas os farialaimers, confiantes em sua ignorância, previam um cenário catastrófico para o país. Para eles, não havia como dar certo, com este bando de comunistas que ganhou as eleições. E isso se reflete em suas previsões econômicas.


Paulo Guedes, o ex-ministro da Economia, e um dos expoentes deste tipo de pensamento, é um exemplo perfeito. Quando assumiu, anunciou orgulhosamente que o governo seria um governo que uniria o pensamento liberal na economia com o conservadorismo nos costumes. Um belo discurso que fez orgulhosos os banqueiros. Só que ele esqueceu de combinar com os russos, ou seja, o seu chefe Bolsonaro. O liberalismo tão decantado ruiu ao se chocar com os interesses consolidados nas instituições políticas, na realidade social e na obtusidade de um notório meliante. O conservadorismo revelou-se um obscurantismo impalatável mesmo para as elites mais reacionárias.


Um dos maiores economistas do Brasil, e cujos poderes, ao seu tempo, o tornaram um autêntico Vice-rei do país (na economia), Delfim Neto, responsável pelo milagre econômico dos anos 70 (o país chegou a crescer a 13% ao ano, algo impensável hoje em dia), tinha uma explicação para estas tontices. Segundo Delfim, quando se diz que o Brasil é um país subdesenvolvido, as pessoas esquecem que o subdesenvolvimento é um fenômeno que atinge toda a sociedade. Subdesenvolvidas são as instituições, são as indústrias, a agricultura, as escolas. Subdesenvolvimento é um fato que perpassa a sociedade como um todo. E, acrescentamos nós, subdesenvolvidos também são os banqueiros, com sua presunçosa ganância, assemelhada a de piratas e bucaneiros do Século XVII e XVIII (como se viu agora no caso das Lojas Americanas). Como piratas, eles só têm olhos para o ouro (juros), mas outra é a mentalidade do agricultor, do industrial, do comerciante e do trabalhador. E são eles que fazem a economia funcionar.


Conta-se que o velho Sócrates era o mais sábio dos gregos. Ao saber disso, teria dito: “Só sei que nada sei”. Modesto Sócrates. Como todo sábio ele tinha reservas ao seu próprio conhecimento. Que diferença com nossos políticos, acadêmicos e banqueiros, que orgulhosamente, dia sim e outro também, pomposamente enunciam verdades que no dia seguinte são desmentidas.



Alguns economistas mais equilibrados apontam que os algoritmos que têm sido usados pelos pseudossábios não apreenderam a dinâmica social e econômica que o país está passando desde o ciclo de reformas iniciado pelo presidente Temer e parcialmente retomado por Paulo Guedes. Isso explicaria o sistemático erro nas previsões. Assim, a Reforma Trabalhista, que impactou o mercado de trabalho; a reforma da Previdência, a abertura do mercado de saneamento, etc. É possível. Mas, antes das geringonças econométricas, há um argueiro no olho. Não precisam gostar de Lula, mas considerá-lo um comunista, pelo amor de Deus, isso é muita ignorância.

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