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CAPATAZES OU GENERAIS?

É possível que um capitão reformado, expulso do exército, domine assim a instituição de Caxias e Osório?



Que diriam o Duque de Caxias ou o General Osório acerca da postura dos generais brasileiros hoje em dia? Não me refiro aos generais inativos, claramente servis a um líder sem a menor condição de governar o Brasil. Refiro-me aos generais da ativa, aqueles que dão a ordem do dia nos quartéis. Condenariam tanta passividade? Corariam de vergonha? Teriam uma reação colérica de indignação?


Impossível dizer, mas certamente estariam insatisfeitos. Afinal, há limites para a humilhação pública a que o Brasil está sujeito. Há que se por limites às ameaças constantes à nossa democracia que, ao menos em tese, os generais juraram defender. Basta citar os últimos desatinos de Bolsonaro para entender porque Caxias/Osório ficariam indignados:


  • Bolsonaro disse que desse jeito não teremos eleições no ano que vem. Que jeito, Presidente? As urnas eletrônicas? O sistema mundialmente reconhecido como o mais avançado sistema de eleições públicas? Ou será que o senhor se refere às pesquisas, apontando para uma massacrante vitória de Lula? Bolsonaro quer ser o menino dono da bola, que se estiver perdendo põe a bola embaixo do braço e acaba com a brincadeira.

  • Bolsonaro, falando aos zumbificados do cercadinho do Alvorada, respondendo à CPI que postula um posicionamento acerca das denúncias do deputado Luis Miranda, novamente envergonhou a nação com seu vocabulário chulo de bêbado de caserna. Prefiro não repetir a baixaria aqui, mas o país ouviu e mais uma vez se perguntou: esse desclassificado é nosso Presidente?


O que se esperaria das Forças Armadas em episódios como esse? O segundo episódio poderia passar em branco, ainda que, no mínimo, valesse ressaltar que a disciplina militar não contempla este tipo de destempero, ou lembrar a Bolsonaro que, enquanto Presidente da República ele representa todo o Brasil e não pode ter a postura do mais reles boquirroto.


O primeiro episódio, contudo, impõe um posicionamento. Os três comandantes das Forças Armadas deveriam ter publicado uma nota em que garantem a realização das eleições no ano que vem e que qualquer um que atentar contra o pleito comete crime passível de severa punição.


Novamente, contudo, o exército calou, assim como a marinha. A aeronáutica fez pior, já que a entrevista do Tenente-Brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior foi uma verdadeira vergonha. Em suma, ele disse que não é possível chamar à responsabilidade qualquer membro das forças armadas que participe do governo. E fez ameaças. Ameaças ostensivas, não apenas veladas.


Por incrível que pareça, o exército, as forças armadas como um todo, contemplam realmente a possibilidade de endossar uma ditadura Bolsonaro. Ou seja, generais, almirantes e brigadeiros curvam-se abjetamente ao tenente desclassificado que expulsaram no passado, ao militar que não teve méritos para ser capitão, ganhou o posto na aposentadoria forçada. E esquecem de sua missão. E envergonham a Caxias e a Osório. Até quando serão meros capatazes de Bolsonaro?


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