O DIABO VESTE PRADA 2
- Hatsuo Fukuda

- há 27 minutos
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O DIABO VESTE PRADA 2
Hatsuo Fukuda
Assistir o filme O Diabo Veste Prada 2 é um acontecimento. Está passando em todos os shoppings de Curitiba. Tentei assistir no Pátio Batel e todas as sessões do dia e do final de semana já estavam lotadas, inclusive as salas VIP. Fui para o Mueller, onde havia duas salas quase lotadas.
Uma fila na entrada, como sempre acontece com blockbusters – mas este não é Vingadores - é uma comédia-quase sátira sobre o mundo da moda e do jornalismo e, the last but not the least, do big business que é o mundo da moda e do jornalismo. E, como todo mundo, tirei uma foto junto com o cartaz, notando que havia muitas mulheres mais velhas acompanhadas de outra, mais jovem. Elas, como eu, devem ter assistido O Diabo Veste Prada, há vinte anos – eu com o meu filho quase criança – e agora, já adultas, estavam revivendo a experiência. Mães e filhas. Achei tocante.

O Diabo Veste Prada 2 é, principalmente, uma amostra do que Hollywood sabe fazer melhor: um conto de fadas contemporâneo para adolescentes e adultos. E, como todo conto de fadas, os personagens são conhecidos da platéia: Miranda, Andy, Emily. E como todo conto de fadas precisa de uma fada boazinha, este se transformou em um bruxo, Nigel, bruxo que num passe de mágica produz sapatos e vestidos de grifes chiques para as cinderelas esfarrapadas se transformarem em princesas encantadas.
Contemporâneo? Quer dizer: todos os sonhos de consumo que a patuléia jamais terá acesso serão realizados aos personagens: Dior, Chanel, Prada, Givenchy, Versace. Vestidos, casacos, bolsas- ah! as bolsas! – sapatos. É preciso ser uma centopéia para usar tantos sapatos chiques que serão dados (dados!) pelo querido bruxo Nigel a suas protegidas.
Hollywood vive de vender ingressos, portanto, seus contos de fadas não serão contos dos Irmãos Grimm e toda a crueldade inerente a camponeses germânicos vivendo na Floresta Negra. Serão contos de Andersen, devidamente formatados para platéias infantis, expurgados das duras realidades da vida.
A grande Meryl Streep, que já no filme original havia introduzido um toque de humanidade à personagem Miranda – por sua sugestão e feeling de grande atriz que Miranda se transformou em uma bruxa má boazinha – desta vez nos apresenta uma mulher ainda mais palatável à platéia. Ela é a própria personificação da mulher independente que luta contra tudo e contra todos. Faltou um cartaz dizendo: Fight like a Girl. É difícil a vida de uma CEO mulher no mundo corporativo dominado por homens machistas, mas ela se sai bem.
Fight like a girl, naturalmente, era o papel reservado a Anne Hathaway. Há vinte anos, ela, com 22 anos, lutou como uma garota determinada para ganhar o papel de Andy no Diabo Veste Prada. Ela era vista como uma princesinha moderna no Diário da Princesa – outro conto de fadas da Disney – que fez um sucesso enorme junto a crianças e adolescentes. Este seria seu primeiro papel para platéias adultas. Ela conseguiu, e sua carreira subiu de patamar. Transformou-se na grande estrela que é hoje, ao contrário de outros idols adolescentes da época, que não tiveram a mesma sorte ou determinação.

Lembro-me que quando assisti o filme, notei a grande quantidade de meninas acompanhadas de suas mães. Elas estavam lá para ver a princesa Mia Thermopolis, do Diário da Princesa, e ganharam pelo resto da vida a princesa Andy. Hoje elas voltam aos cinemas, e muitas vão acompanhadas de suas mães, e tiram selfies junto ao cartaz. É um grande acontecimento e irá direto para as redes sociais. Thank you, Mammy.
O papel da bruxa má foi dado a Emily Blunt, que faz o papel de Emily. No primeiro filme, ela também era uma jovem atriz em ascensão. Depois de O Diabo Veste Prada sua carreira acelerou, transformando-a em uma das atrizes mais versáteis do cinema contemporâneo – e uma das mais bem pagas.

E a bruxa má da vida real, Anna Wintour, a toda poderosa editora da revista Vogue, que inspirou a personagem Miranda Priestly? No primeiro filme, a lenda que o acompanha diz que Wintour inspirava um medo tão grande no mundo da moda que todo mundo se recusou a participar. Eles tiveram dificuldades para conseguir figurinos e participações reais (cameo appearance, em que personagens reais fazem breves aparições como eles mesmos).

Com o sucesso do primeiro filme tudo mudou. Repita-se, graças a atuação de Meryl Streep, que humanizou Miranda. Wintour esteve presente no lançamento mundial do filme, em New York, e foi fotografada com Meryl Streep. Ela visitou o set e filmou uma cena que não foi incluída no filme. Houve um problema na tomada, e o diretor teve medo de pedir a Wintour que a refizesse. Ela continua a inspirar temor.
Personagens do mundo da moda e do entretenimento concordaram em aparecer. Uma cena hilária acontece com Donatella Versace, interpretando ela mesma. Dezenas de outras personalidades do mundo da moda aparecem no filme. Outra cena espetacular é com Lady Gaga. Se o filme fosse uma porcaria, a aparição de Lady Gaga valeria o ingresso.
Na Disney+ há um documentário da estréia mundial em New York. Dentro do espírito do filme, é só deslumbre. Todos estão lindos e maravilhosos, todos vestem grifes famosas, todos adoram todos, todos se divertem como se não houvesse amanhã. Foi no Lincoln Center, e o tapete vermelho nunca foi tão glamuroso.
O filme é pura diversão. Vale cada centavo do ingresso. Não esqueça a pipoca. Eu não comi, porque a fila era muito grande. Fica para a próxima.

Hatsuo Fukuda, caboclo deslumbrado de Catanduva, adorou ver ricos e famosos em O Diabo Veste Prada.










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