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MATADOR


Até hoje o gol mais belo no estádio mais icônico do Brasil.


Imagem de NetVasco



1976. Últimos minutos de partida, Vasco x Botafogo, placar em 1 x 1. Após um lance confuso, Zanata alça a bola na área, cegamente ou visando o artilheiro, impossível precisar. Roberto mata a bola no peito, dentro da grande área. Está acossado por três adversários. Impossível a finalização. Inspirado, dá um lençol no zagueiro mais próximo. Novamente, se esperar a bola baixar será impedido de finalizar pelos adversários muito próximos. Qualquer outro centroavante finalizaria precipitadamente, pegando a bola de baixo para cima e perdendo o gol por um tiro muito alto. Roberto salta, atlético, alcança a altura adequada e desfere um voleio mortal.

É o momento supremo de uma carreira vitoriosa. A obra prima com que o artista se consagra, será lembrado e reverenciado. Vasco 2 x 1 Botafogo. Gol de Dinamite. Para a eternidade. Ao menos eterno enquanto o futebol existir.


Entre tantas personalidades importantes, 2022 levou o maior do futebol: Pelé. 2023 começa levando o maior ídolo de uma das grandes torcidas do futebol brasileiro, o Vasco da Gama. Logo o torcedor vascaíno, coitado, tão maltratado nos últimos anos, que ainda em 2022 inaugurou uma estátua para reverenciar seu ídolo supremo.


Dinamite não foi, a meu ver, um craque. Entendo por craque alguém com uma habilidade extrema com a bola nos pés. Estes são pouquíssimos, embora a vulgarização do termo. Mas Roberto Dinamite ocupa, entre outros poucos, a galeria dos maiores artilheiros do futebol mundial, daqueles que chamamos matadores. Os números não mentem: 708 gols na carreira, maior artilheiro do campeonato brasileiro, mais artilheiro do Vasco da Gama, maior artilheiro do estádio São Januário ( a casa do Vasco da Gama ).


Matadores, na gíria futebolística, são centroavantes únicos, capazes de finalizar onde outros não conseguiriam, artilheiros com uma visão peculiar e singular da meta adversária, eficientes na busca do gol, letais. Roberto Dinamite foi matador.

Suas glórias ficaram dentro do Vasco da Gama, embora, é preciso dizer, somente não foi campeão mundial porque a Copa de 1978 foi dentro da Argentina de Jorge Videla: nada impediria o ditador de obter seu triunfo catársico. O Brasil não ganhou a copa, mas sequer foi derrotado, exceto pelas moedas que compraram a seleção peruana naquilo que é conhecido como o maior escândalo do futebol mundial.


No Barcelona não brilhou, por incompatibilidades com o treinador. Aposentado, foi cartola e presidiu o Vasco da Gama. Foi também político, deputado estadual. Mas então, assim como Pelé não se confunde com o Edson, Dinamite não se confunde com o cartola/político Roberto. Este era um homem comum e fez coisas comuns. Dinamite era único. Matador. Assinou aquela obra de arte numa tarde de novembro de 1976 no Maracanã. Até hoje o gol mais belo no estádio mais icônico do Brasil.


Pressupõe-se que, se há um Deus, seja onipotente e sábio. Assim, certamente o todo-poderoso aproveitará a oportunidade para fazer rolar uma bola nos gramados celestes. Poderá assim ver o Rei Pelé driblar dois ou três adversários ( afinal jogadores comuns também sobem ao paraíso ) e servir Roberto Dinamite para marcar mais um golaço. Letal. Matador.

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