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No BAR ANGA com Machado de Assis

há 3 horas
10 min de leitura
Marinho Bastos e Joaquim Maria Machado de Assis sentados em uma mesa de madeira no boteco Bar Anga. Marinho veste camisa de estampa africana diante de uma garrafa de cerveja, enquanto Machado de Assis, em trajes formais e gravata, segura uma taça de vinho tinto perto de uma garrafa de vinho de Santa Felicidade e um prato de doces.

No BAR ANGA com Machado de Assis


Por Marinho Bastos


Sexta-feira, sua linda! Sobre a mesa, um papel com o recado:


— Estou na academia. Beijos. Italiana.


Virei o bilhete e escrevi:


— Vou para o BAR ANGA. Sem compromissos. Vou tomar uma breja e logo volto. Beijos. Em tempo: vou a pé.


Coloquei uma camisa de estampa africana. Estávamos próximos ao Dia da Consciência Negra e me pareceu mais do que justo homenagear uma luta que atravessou séculos e ainda redesenha a história. E lá fui eu. Conforme avançava, percebi uma verdade desagradável: não tenho o menor costume de caminhar. Acho exercício um saco. Também não sou desses que passeiam pela cidade admirando contrastes arquitetônicos ou lendo a história nas calçadas. Meu olhar sempre acaba nas pessoas. Fico imaginando o que o concreto esconde. Na frente de algumas casas, sacos de lixo aguardavam a coleta. Um homem rasgava um deles à procura de latinhas. Mais adiante, outro revirava restos de comida.


Alguém reclama da sujeira que eles deixam na calçada. Eu não consigo olhar para a sujeira. Fico pensando por que alguém da minha espécie precisa rasgar um saco de lixo para matar a fome. Sei que existem teses econômicas, explicações políticas e discursos sociais para isso. Mas, entre a perfeição da teoria e a urgência da vida real, existe um abismo que a gente só compreende quando vê o estômago doer na calçada. De saco cheio, continuei andando. Entre um prédio e outro estão os trabalhadores, os apressados, os que correm contra o relógio, os que carregam marmitas, dívidas, sonhos e boletos. Gente que dá vida e algum calor à fria capital das araucárias.


As fachadas podem ser belas, mas meu pensamento sempre acaba na pessoa que passa diante delas. Talvez por deformação profissional.


Talvez porque meu olhar insista em enxergar aquilo que o mundo aprendeu a ignorar. Ou talvez porque, olhando bem, uma cidade não seja feita de prédios e casas. É feita de personagens. Jung provavelmente diria alguma coisa mais complicada. Quem sabe um dia ele apareça no BAR ANGA. Vá saber o que o mundo nos reserva amanhã. Por isso, melhor abraçar o mistério de hoje.


Fachada clássica do Bar Anga em uma esquina pavimentada com paralelepípedos úmidos. O bar possui janelas com vitrais coloridos iluminados por arandelas, toldo listrado em verde e roxo, pequenas mesas na calçada e um poste de iluminação retrô.

Quando avistei o BAR ANGA, concluí que a caminhada já havia cumprido seu papel — inclusive o de confirmar que continuo achando exercício um saco. Antes que eu entrasse, Bambu Albino apareceu à porta.


— Marinho.


Parei.


— Fala, grande Bambu Albino!


— Um homem esteve aqui perguntando pela sua pessoa.


— Ops... Quem? Bambu coçou a cabeça.


— Não sei. Um senhor muito alinhado. Falava bonito. Disse que queria conversar.


— E você falou o quê?


— Falei que, sendo sexta-feira, a probabilidade de sua vinda ao BAR ANGA chegava próximo de cem por cento. Olhei para ele.


— Bambu, você anda fornecendo minha agenda?


— Agenda, não. Só falei que sexta-feira você vem tomar umas ampolas.


Não havia como contestar a informação.


— E ele deixou o nome? — Não deixou. Mas disse que voltava.


— Falou sobre o quê? Bambu pensou um pouco.


— Falou uma coisa esquisita.


— O quê?


— Que tinha uma conversa antiga pra acertar.


— Antiga quanto? Bambu deu de ombros.


— Pelo jeito dele, Marinho... uns cento e quinze anos.


Olhei para Bambu.


— Não esquece minhas pedrinhas de gelo.


— Fica tranquilo.


Empurrei a porta do BAR ANGA. Um cheiro agradável de sexta-feira entrou pelas minhas narinas. Cumprimentei o Sr. Edu e pedi ao Flash Gordon uma extremamente gelada. Na passagem, dei um salve para a Morena. Lá estava minha mesa de sempre. Sentei para descansar as pernas e descobri que meu joelho já havia assinado contrato de aposentadoria. Tentei não demonstrar o desconforto, mas a Morena percebeu e abriu aquele sorriso malicioso de cuidadora de idosos.


Ignorei. Ou fingi. Dei o primeiro gole e me lembrei do que Bambu havia dito. Cento e quinze anos. Enquanto sorvia a cerveja, observava o vaivém dos copos e as conversas espalhadas pelo salão. Quem diabos teria me procurado? Não descartei a possibilidade de um ledo engano. A banda SAMBASTOS executava Elephant Gun, música que embalara a abertura da minissérie Capitu. Cenário perfeito para descansar minhas patelas.


Foi quando olhei para a entrada. Meu coração deu um salto. Um senhor acabara de cruzar a porta. Elegante. Discreto. O olhar atento de quem parecia observar o salão e, ao mesmo tempo, desconfiar dele. Conhecia aquele rosto. Dos livros. Das fotografias. Da vida inteira. Não podia ser. Mas era. Joaquim Maria Machado de Assis. Fiquei imóvel, com a cerveja suspensa a meio caminho da boca. Machado correu os olhos pelo salão.


Procurava alguém. Então nossos olhares se cruzaram. Ele sorriu e veio em minha direção. Pensei em levantar. Meu joelho foi contra. Pensei numa frase inteligente. Meu cérebro acompanhou o joelho. Machado parou diante da mesa.


— Você é o Marinho?


Levantei. O joelho protestou novamente.


— Depende. Se for cobrança, não.


Ele sorriu discretamente.


— Pela resposta, é o Marinho. Sou Joaquim Maria Machado de Assis.


— Eu sei.


Estendi a mão, ainda tentando acreditar no que estava acontecendo.


— É uma honra, Machado. Sente-se, por favor.


Ele puxou a cadeira com calma e se acomodou à minha frente.


— Confesso que esperei algum tempo por este convite.


— Convite?


— Sim. Freud esteve aqui.


Engoli em seco.


— Esteve.


— Deus também.


— Esteve.


— Karl Marx.


— Também.


— Simone de Beauvoir.


A coisa estava ficando feia. Machado ajeitou-se na cadeira.


— Pelo que soube, até algumas figuras de reputação bastante duvidosa já passaram por esta mesa.


Bambu Albino estava tagarelando demais e me deixando numa sinuca de bico.


— Machado, posso explicar.


— Espero que sim. Afinal, há aproximadamente cento e quinze anos venho exercitando a paciência.


Flash Gordon apareceu providencialmente.


— O que o senhor vai beber?


Machado olhou para mim.


— O anfitrião recomenda o quê?


— Temos um vinho de Santa Felicidade que não compromete a literatura brasileira. E vou pedir alguns doces, até porque sei que aprecia.


— Então aceito uma taça e as guloseimas.


Flash Gordon se afastou. Respirei.


— Machado, eu não o convidei porque sempre soube que você era um homem reservado. Metódico, discreto, pouco afeito a grandes reuniões sociais. Achei que um bar cheio, numa sexta-feira, não fosse exatamente seu ambiente.


Ele me observou por alguns segundos.


— Compreendo.


Alívio.


— Então estamos entendidos.


— Não.


— Não?


— Uma coisa é recusar um convite, Marinho. Outra, bastante diferente, é não o receber.


Fiquei quieto. Machado completou:


— Até para dizer não é preciso que alguém tenha a delicadeza de perguntar.


Peguei minha cerveja.


— Essa doeu. Xeque-mate.


— As melhores frases costumam ter esse inconveniente.


— E como soube das outras visitas?


Machado tomou um pequeno gole de vinho.


— Meu caro, depois de morto sobra-nos bastante tempo para colocar a leitura em dia. E suas crônicas me fazem desopilar o fígado.


Quase engasguei. Flash Gordon trouxe os doces. Eu me recompus. O gelo estava quebrado, mas a curiosidade do psicólogo falou mais alto.


— Sabe o que me impressiona, Machado? Você não teve uma formação acadêmica convencional. Como alcançou tamanha erudição? Aliás, “erudição” é uma palavra pomposa. Gosto de usar.


Ele deu um largo sorriso. Percebeu que estava diante de um jogador de xadrez que sabia, pelo menos, movimentar as peças.


— Aprendi onde pude, Marinho. Nos livros, nas conversas, no trabalho, observando gente. Há universidades que cabem dentro de prédios. Outras caminham pelas ruas.


Aquilo me pegou. Olhei ao redor.


— Dessas últimas eu gosto.


— Percebi.


— E deu no que deu — comentei, fascinado.


— Se tivesse que escolher uma obra sua, qual escolheria? Dom Casmurro?


Machado ajeitou os óculos, pensativo.


— Pedir a um escritor que escolha um livro é quase pedir a um pai que escolha um filho. Mas tenho particular estima pelas Memórias Póstumas de Brás Cubas. Há certa liberdade em entregar a palavra a um defunto.


Fez uma pequena pausa e me olhou.


— Aliás, você parece bastante familiarizado com mortos.


Tomei um grande gole do meu suco de cevada.


— Ultimamente, até demais.


O assunto era delicado, mas eu precisava perguntar.


— No meu tempo, Machado, sua postura política ainda gera debate. Há quem o tenha acusado de absenteísmo... Palavra rebuscada.


— Realmente. Continue.


— De não combater abertamente a escravidão em sua literatura. Como você enxergava isso?


O olhar de Machado ficou sério. Girou lentamente a taça entre os dedos.


— Nem toda denúncia precisa carregar uma faixa pelas ruas. Às vezes, a ironia entra por uma porta que o discurso não consegue atravessar. Eu conhecia aquela sociedade, suas aparências, seus favores, sua crueldade e, sobretudo, sua hipocrisia.


Fiquei ouvindo.


— Então sua literatura era uma espécie de tática de guerrilha silenciosa?


Machado sorriu.


— Você é quem está dizendo.


— Seria aquela famosa Estratégia do Caramujo?


Ele recolheu um pouco os ombros.


— O caramujo carrega a casa nas costas e sabe a hora de recolher a cabeça. Isso não significa que desconheça a tempestade.


— É... mas tenho a lhe informar que a tempestade continuou depois que você se foi.


Bebi mais um gole.


— E há uma coisa que sempre me incomodou. Depois de sua morte, houve quem tentasse embranquecer sua imagem. Fotografias, descrições, registros... Como acha que Joaquim Maria olharia para isso?


Machado soltou uma risada curta.


— Meu caro Marinho, talvez algumas sociedades tenham mais facilidade em admirar um homem negro depois de apagar sua cor.


Silêncio. Ele tomou um gole de vinho.


— Mas há um inconveniente.


— Qual?


— A história costuma sobreviver aos retoques.


O salão do BAR ANGA pareceu diminuir de volume. A banda fazia uma pausa. Olhei para aquele homem miúdo, gigante, e decidi colocar merthiolate na ferida.


— E a Carolina, Machado? Como foi continuar sem ela?


O bar perdeu o som por completo. Machado olhou para as próprias mãos. A ironia desapareceu dos olhos. Sobrou apenas uma nudez triste.


— Marinho, a literatura me deu glória. Carolina me dava o chão.


Ficou alguns segundos em silêncio.


— Quando ela partiu, foi como se arrancassem a última página de um livro. A história continua existindo, mas alguma coisa fica para sempre suspensa.


Dessa vez não procurei resposta. Somos profissionais treinados, mas psicólogos continuam sendo seres humanos suscetíveis às mesmas emoções que estudam. Fiquei quieto. Tantas perguntas que eu achava que tinha desapareceram. Então olhei para aquele homem diante de mim e, por alguns segundos, desapareceu o escritor. Ficou o Joaquim Maria. Flash Gordon passou perto da mesa, percebeu o silêncio e, numa rara demonstração de sabedoria, continuou andando. Machado pegou a taça. Bebeu devagar. Depois levantou os olhos. A tristeza ainda estava lá, mas a velha ironia começava a voltar para casa.


— Agora chega de falar de mim.


— Como assim?


— Estou aqui há um bom tempo respondendo às suas perguntas.


— É o psicólogo.


— Imaginei que usaria essa desculpa.


Sorri.


— Deformação profissional.


— Pois agora sou eu quem pergunta.


Endireitei-me na cadeira.


— Agora vai...


— Por que você escreve, Marinho?


A pergunta me pegou desprevenido. Eu esperava qualquer coisa. Menos aquilo. Olhei para minha cerveja.


— Sei lá.


Machado ergueu uma sobrancelha.


— Resposta decepcionante para alguém que interroga mortos.


— Eu nunca disse que sabia responder às minhas próprias perguntas.


Ele sorriu.


— Isso, pelo menos, já é literatura.


Pensei um pouco.


— Escrevo desde moleque. Minha mãe era professora. Dona Cida. Ela vivia dizendo que não adiantava escrever e deixar tudo guardado nas gavetas.


— E você obedecia?


— Claro que não. Sou escritor de gaveta. Filho só percebe que a mãe tinha razão quando já gastou metade da vida fazendo o contrário.


— Corrigia seus textos?


— Corrigia meus erros. Os textos ela deixava comigo. Apenas dizia: “Produza.”


Machado sorriu.


— Continue.


Olhei para o salão. A Morena conversava ao fundo. Flash Gordon atravessava o bar equilibrando copos. Bambu Albino discutia alguma coisa com o Sr. Edu.


— Acho que escrevo porque gosto de gente.


Machado permaneceu em silêncio.


— Não de gente importante. Gosto do sujeito dentro do ônibus, do trabalhador correndo atrás do horário, do cara que toma uma cerveja depois do expediente, da mulher carregando sacola de mercado, do sujeito que rasga um saco de lixo procurando comida.


Parei. A caminhada até o BAR ANGA voltou inteira à minha cabeça.


— Essas pessoas me incomodam.


— Incomodam?


— No bom sentido. Fico imaginando de onde vieram. Para onde estão indo. O que perderam. Quem amam. Do que têm medo. Que merda fizeram na vida. Que merda fizeram com elas.


Machado deixou escapar um pequeno sorriso.


— Você observa personagens.


— Observo pessoas. Depois elas viram personagens. Às vezes nem pedem autorização.


— Isso também conheço.


— Talvez seja deformação profissional. A Psicologia exige curiosidade. A literatura também. Só que uma tenta entender o sujeito e a outra...


Parei.


— E a outra? — perguntou Machado.


— A outra deixa o sujeito escapar.


Machado ficou me olhando. Não sabia se eu tinha dito uma grande bobagem ou alguma coisa aproveitável. Ele pegou um doce.


— Continue escrevendo assim.


— Assim como?


— Sem tentar parecer escritor.


Dei a chamada gaitada.


— Sensacional! Essa foi uma crítica?


— Foi um elogio. Não estrague.


Ergui a garrafa.


— Tentarei.


Machado terminou o doce e limpou delicadamente os dedos no guardanapo.


— E essas pessoas todas que aparecem aqui? Deus, Freud, Marx, Simone...


— O que têm?


— Por que trazê-las para um bar?


Olhei em volta.


— Porque num bar ninguém consegue permanecer em cima de um pedestal por muito tempo.


Machado soltou uma gargalhada.


— Nem Deus? — Principalmente Deus. Depois de algumas taças, todo mundo acaba mostrando alguma humanidade.


— Mesmo estando morto?


— No BAR ANGA isso é detalhe. Machado levantou a taça.


— Então brindemos aos detalhes.


Ergui minha cerveja. As duas se tocaram.


— Às histórias — disse ele.


— Aos personagens. E que a fonte nunca nos falte.


Bebemos. Fiquei olhando Machado escolher outro doce. Ainda havia uma pergunta. Na verdade, a pergunta. Aquela que atravessara gerações, universidades, mesas de bar, professores, críticos literários, leitores desconfiados e casamentos provavelmente destruídos por discussões inúteis. Tomei mais um gole, buscando coragem. Ainda não.


Deixei Machado aproveitar o doce. Capitu podia esperar mais alguns minutos. Machado tirou do bolso um relógio, consultou as horas e tornou a guardá-lo.


— Marinho, já se faz tarde. Gostaria de ficar e continuar esta prosa deliciosa, mas devo seguir para meu local de descanso.


— Vou te acompanhar até a saída.


Levantamos. Machado despediu-se da Morena. Pedi ao Sr. Edu que anotasse a conta; depois eu acertaria. Na saída, Bambu Albino recusou seu pró-labore. Eu tinha vindo a pé. Olhei para Machado. Era a própria definição de leveza. Um homem tão magro e esguio que, antes de envolvê-lo num abraço, temi que se partisse.


— Querido amigo, sua passagem por aqui foi linda. No BAR ANGA, cada visita vira história. E algumas histórias viram saudade.


Machado segurou minhas mãos. Olhou bem nos meus olhos.


— Marinho...


— Sim?


Um pequeno sorriso apareceu no canto de sua boca.


— Faça sua derradeira pergunta.


Pronto. Ele sabia. Respirei fundo.


— Capitu.


Machado ficou me encarando por alguns segundos. Aproximou-se. Olhou para um lado. Depois para o outro. Chegou perto do meu ouvido. E sussurrou. Fiquei imóvel. Olhei para ele.


— Machado...


Nenhuma chance. Ele já se afastava. Deu alguns passos, virou-se e acenou.


— Coloque no seu epitáfio: EU SEI.


E foi embora. Fiquei parado na calçada. Bambu Albino apareceu atrás de mim.


— O que ele falou?


Olhei para Bambu. Depois para a rua. Machado desaparecia na noite.


— Ética profissional.


— Mas ele não é seu paciente.


— Pior.


— Pior?


— Confiança de escritor para escritor.


Bambu coçou a cabeça.


— Então Capitu...


— Nem tente.


Voltei para dentro. Afinal, algumas verdades morrem quando são explicadas. E aquela sairia do BAR ANGA apenas com dois homens. Machado e Marinho.

EPITÁFIO

Aqui jaz MARINHO BASTOS

Viveu, escreveu, bebeu umas no BAR ANGA

e levou para o túmulo a resposta que atormentou gerações:

EU SEI.




Foto de perfil do escritor Marinho Bastos, usando terno e gravata, com expressão sóbria e bem-humorada.

Marinho Bastos, escritor curitibano, levará para o túmulo seus segredos.

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