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O que aprendi neste Setembro Amarelo

Por Valéria Prochmann - Jornalista profissional diplomada

Especialista em Administração - Marketing e Propaganda

Livre pensadora


Um olhar atento e sensível para o problema do suicídio.

Imagem de Heather Plew por Pixabay


Como jornalista, presidente do CONSEG – Conselho Comunitário de Segurança do Centro Cívico e conselheira local de saúde (SUS), acompanhei campanhas e assisti a lives a convite de entidades da saúde pública, Associação Brasileira de Psiquiatria, Polícias Militar e Civil, Casa Militar, OAB/PR, Assofepar (Associação de Policiais Oficiais e Bombeiros do Paraná), Núcleo Estadual de Políticas sobre Drogas.

Hoje assisti a um excelente bate papo promovido pelo Escritório Social do DEPEN – Departamento Penitenciário do Paraná dentro do projeto Vida que Segue, com apresentações da médica psiquiatra Maristela da Costa Sousa (Divisão de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde) e da psicóloga Cláudia Cibele Cobalchini.


A violência é considerada assunto de saúde pública. Notem a correlação entre segurança pública, saúde, educação e assistência social quando tratamos de violência.


No mundo, os grupos mais vulneráveis ao suicídio são as tribos e os povos indígenas/aborígenes, os presidiários, os militares e os policiais. No Paraná, a faixa etária de maior incidência de suicídios é entre 20 e 49 anos, correspondendo a 11,9% dos casos.

O comportamento suicida é progressivo. A intenção se manifesta por expressões verbais e comportamentais. A ideação suicida começa com pensamentos passageiros, evoluindo para pensamentos extensos e o planejamento detalhado. Pode resultar em uma tentativa voluntária, consciente e intencional – mesmo que ambivalente – ou em óbito por meio efetivo e letal. Em média a cada dez tentativas ocorre um suicídio.


Na ideação, na tentativa e no ato suicida estão presentes o sofrimento psíquico e o sentimento de ambivalência. Não se trata de coragem nem de desejo. Tríade dos 3 Ds:

Desespero – aflição, angústia, irritação e descontrole;

Desamparo – sensação de abandono, vulnerabilidade, tristeza, solidão e medo;

Desesperança – sensação de estar numa situação sem saída.


O suicida perde os desejos básicos de dormir, alimentar-se, trabalhar e praticar sexo. O alcoolismo está associado em 20% dos casos. São fatores agravantes as condições de vida relacionadas a desemprego, conflitos familiares, violência, moradia indigna, alimentação insuficiente ou prejudicial, dificuldade de acesso a serviços de saúde, preconceitos sociais e falta de sentido da vida.

Os fatores de proteção são os vínculos afetivos de boa qualidade, a integração social, o suporte social, os objetivos na vida e a espiritualidade. A abordagem adequada baseia-se em escuta ativa, empatia, acolhimento e esperança, mostrando ao suicida que há caminhos e saídas na vida. É importante conhecer a rede de serviços públicos e privados que prestam atendimento para orientar a pessoa em direção a um tratamento de saúde mental. Não se deve ignorar os alertas, demonstrar estar chocado, entrar em pânico, desafiar a pessoa a prosseguir na intenção, fazer de conta que é algo trivial, jurar segredo, deixar a pessoa só e afirmar que “tudo ficará bem”.

A prevenção do suicídio se dá pelo controle social do consumo de bebida alcoólica, ampliação dos cuidados em saúde mental, autodisciplina da mídia na divulgação de casos e controle de acesso a meios de suicídio, entre os quais as armas de fogo. Os meios mais comuns para causar a própria morte intencionalmente são: afogamento, arma de fogo, asfixia, autoestrangulamento, automutilação, desidratação, envenenamento, overdose, intoxicação por monóxido de carbono e queima de carvão, ingesta de pesticidas, agrotóxicos e outros produtos químicos, autoimolação (como atear fogo a si mesmo) saltar de altura ou atirar-se, hipotermia, impacto veicular, ataques suicidas em aeronaves, eletrocussão, esventramento (arrancar os próprios órgãos), autossacrifício em rituais, inanição.

Finalmente, a manutenção da saúde mental requer uma perspectiva multidimensional e envolve os seguintes aspectos:

. ter objetivos, aspirações e anseios;

. equilíbrio emocional – percepção da realidade;

. ajustes com competências sociais;

. desenvolvimento da autonomia;

. autoaceitação (aceitar qualidades e limitações);

. vínculos afetivos;

. sentir-se produtivo.


Centro de Valorização da Vida – 24h: 188

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