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A VIDA DOS OUTROS

Crítica de cinema

Um primoroso filme do cinema alemão.


Imagem de Pixabay

O cinema alemão vem se afirmando ao longo dos anos. Sempre foi forte, é verdade, desde o Gabinete do Doutor Caligari, filme mudo de 1920, dirigido por Robert Wiene. Mas se há alguns anos as pessoas torciam o nariz diante da perspectiva de encarar duas horas de um filme alemão, isto vem sendo, lenta e gradualmente superado. Séries como Dark ajudam a tornar o cinema alemão mais palatável no novo mundo.


Neste caminho de aprovação, A Vida dos Outros ( Das Leben den Anderen ) foi um marco importante. Recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006. É, de fato, uma obra maravilhosa, um roteiro magnífico. Por isso, quinze anos depois, recomendamos que você o assista.


A história corre em 1984, na Alemanha Oriental, cinco anos antes da queda do muro de Berlim. Antes, portanto, da Glasnost, quando atrás da cortina de ferro a vida de intelectuais e artistas não era nada fácil. Pelo menos para aqueles pouco conformistas, com veia crítica, como convém aos artistas. O roteiro genial de Florian Henckel Von Donnersmarck nos convida a acompanhar a trajetória de dois personagens absolutamente diversos: um dramaturgo e um agente da Stasi, a agência de inteligência da RDA.


Como em qualquer ditadura, o teatro era observado com desconfiança, vigiado de perto pelos buldogues do regime. Diretores, atores e dramaturgos poderiam cair em desgraça por uma frase perdida no palco, por uma alegoria mal interpretada que fosse. Assim, Georg Dreyman, o dramaturgo, vê seu diretor favorito cair em desgraça e é obrigado a assistir suas peças dirigidas por profissionais medíocres aprovados pelo status quo. Dreyman é considerado alinhado pela inteligência, mas o interesse do Ministro da Cultura pela sua companheira, a atriz Christa-Maria, faz com que ele venha a ser alvo de escutas colocadas em seu apartamento. O Ministro quer achar algo para afastar Dreyman e ter caminho livre para assediar sua companheira.


Colocado para monitorar Dreyman, Gerd Wiesler desenvolve uma trajetória de redenção humana, partindo de um convicto sabujo do regime, para um homem de olhos abertos e princípios elevados. Tudo mais é spoiler. E spoiler é estragar a diversão.



A Vida dos Outros, Alemanha, 2006, 137 minutos

Direção - Florian Henckel Von Donnersmarck

Roteiro - Florian Henckel Von Donnersmarck

Elenco - Ulrich Mühe ( Gerd Siedler ), Sebastian Koch ( Georg Dreyman ) e Martina Gedeck ( Christa-Maria Sieland ).

Nota - 9

Recomendação - Um poderoso filme de protesto e redenção.

Adjetivos - Inteligente, pulsante, primoroso.



Antes que algum Bolsonarista pense em recomendar o filme como um exemplo de condenação ao comunismo, vale lembrar que o filme é a condenação de todas ditaduras e suas sufocantes máquinas de censura. Sejam de esquerda ou de direita.


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