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AFORISMOS PARA A SABEDORIA DE VIDA

Recomendação de leitura


Grandes verdades e pequenos segredos compartilhados por um grande pensador.


Fonte: Wikipedia

É muito comum a depreciação da obra por conta dos defeitos ou incoerências do autor. Isso constitui erro grave: a obra possui valor por si e pode vencer os séculos; o homem, como todo homem, é falho e perecível. Pela mesma ótica de lentes curtas surgiu a constatação de que nenhum profeta é bem recebido em sua própria cidade. As pessoas lembram seus deslizes, suas mazelas, suas traquinagens de infância… lembram tudo. E pensam: como este sujeito se atreve a nos dar lições?


O homem Arthur Shopenhauer viveu as contradições da condição humana e de seu próprio tempo. Era irascível, algo misógino, vaidoso de sua intelectualidade. E ele próprio não conseguiu, em sua vida, seguir todos os bons conselhos que plantou na obra Aforismos para a Sabedoria de Vida, em especial as lições acerca do desprezo ao reconhecimento dos homens, ao sucesso e à fama. Sua biografia e seus próprios escritos testemunham o quanto ele desejou o reconhecimento de sua obra e da sua pessoa, algo que em seu tempo lhe foi negado.


Shopenhauer é sempre considerado um pessimista, especialmente por conta da pequena apreciação que faz da humanidade. O homem Arthur Shopenhauer era mesmo um pessimista e misantropo. Mas sua obra, absolutamente não. O essencial - oculto atrás de alguma amargura que o homem planta aqui e ali - é brilhante e otimista. A obra - como toda a filosofia de Shopenhauer - é preciosa.

Em Aforismos para a Sabedoria de Vida, o filósofo - já maduro e caminhando para o ato final - dá conselhos de como bem viver. E estes conselhos são os mais variados e de toda natureza. Desde a análise das necessidades humanas, quais devem ser atendidas e quais podem ser desprezadas, até a análise de questões como autoestima, fama, conhecimento, honra.


Sempre citando aforismos de grandes personalidades do passado, sobretudo os clássicos, Shopenhauer dá conselhos sobre tudo, até mesmo sobre o período do dia mais propício aos trabalhos: A manhã é o momento adequado para as reflexões profundas, como para todos os trabalhos em geral, sem exceção, tanto intelectuais como corporais. Pois a manhã é a juventude do dia… … O cair da noite, em contrapartida, é a velhice do dia: encontramo-nos então abatidos, prolixos e levianos.


Embora em pleno acordo com seu pessimismo sobre a natureza humana, estimula o exercício de lhe pôr freios, mas condena a afetação, que considera mero fingimento: Assim como se carrega o peso do próprio corpo sem senti-lo, como se sente o de qualquer corpo estranho que se queira mover, da mesma maneira não se nota os próprios erros e vícios, mas apenas os dos outros. Em compensação, porém, cada um tem no outro um espelho no qual vê nitidamente os próprios vícios, erros, maus hábitos e perversões de toda espécie. Apenas que, na maioria dos casos, nos comportamos como o cão que late diante do espelho por não saber que vê a si mesmo, pensando tratar-se de outro cão.


Shopenhauer sempre esteve convencido de que o caráter não muda. Com isso, predispõe o leitor a nunca esperar o melhor das pessoas: O destino embaralha as cartas e nós jogamos. Nossa vida não é obra nossa, mas o fruto de duas variáveis: as circunstâncias e nossas decisões.


Naturalmente, você poderá discordar desta e de outras observações do autor. Mas certamente encontrará, ao longo da leitura, inúmeras linhas que irão ecoar em seu espírito, pequenas pérolas que você fará questão de guardar para a sua tarefa de enfrentar a vida.


Como disse, o homem era pessimista. Sua obra, não. Nas páginas finais de Aforismos para a Sabedoria de Vida o homem fala sobre as diferenças de apreciação da vida pelas diferentes idades. Formula, então, a seguinte comparação, um tanto amarga: Quando, em meus anos de juventude, batiam à porta, eu me alegrava, pois pensava: agora vem! Mas nos anos tardios minha sensação adquiriu com a mesma ocasião, algo muito mais aparentado ao horror e eu pensava: lá vem!



Aforismos para a Sabedoria de Vida - Arthur Shopenhauer - L&PM Editores 2014 - 1ª Edição - Tradução de Gabriel Valladão Silva 265 páginas.


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