Candidato blended, se surgir, ganha a eleição no Paraná
- CAIO BRANDÃO

- há 3 horas
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Candidato blended, se surgir, ganha a eleição no Paraná
Sérgio Moro, o ex-magistrado, segue faceiro, com vantagem sobre Maurício, o Requião Filho, logo atrás nas pesquisas. Rafael Greca é o tiozão que eu gostaria de ter na família. Gosto de sua presença nas redes sociais. Sandro Alex é o candidato do poder, ungido por Ratinho Júnior.
Caio Brandão
Gosto de vinhos de corte, os blended, também chamados assemblage: misturas de duas ou mais uvas, por vezes de safras diferentes. Em casa, viro enólogo e crio minhas próprias combinações, quando a primeira garrafa não atende aos meus caprichos. Se a vinícola pode, eu também posso. Abro duas, até três garrafas, e vou equilibrando a mistura na taça, até achar o vinho que me apetece. Touché! Sempre encontro o que procuro. Afinal, o que manda aqui é o meu paladar frugal e o meu bolso crematofóbico.
Na política a alquimia não é diferente. Aos candidatos sempre sobra ou falta algo: no perfil, na presença cênica, no passado, no discurso, nas propostas — quando existem — ou no timbre de voz. Como ninguém é perfeito, o eleitor acaba votando no menos ruim, sobretudo nas eleições majoritárias. Já nas proporcionais, onde o rigor evapora, o voto vai para qualquer um, até para um decote generoso ou para um candidato sem currículo, mas com folha corrida invejável. Ademais, com a banalização da corrupção na esfera pública, uma folha corrida sinistra agora se traduz em prestígio e demonstração de força e poder. Quanto mais bilhões desviados, melhor.
No Paraná sou observador contumaz. Gosto daquela gente com a qual convivi por anos na iniciativa privada e na vida pública. Ademais, são longevos. Em Minas os amigos partem de repente, malagradecidos. Os paranaenses, educados, conhecem o próprio entorno e dominam as trilhas do bem-viver. Apreciam boa gastronomia, bebidas finas e uma conversa inteligente. São empreendedores, gostam da política e admitem o enfrentamento, quando preciso. Têm até um parlatório a céu aberto: a Boca Maldita, onde as frases correm soltas, mas lançadas com elegância capaz de manter à distância as vias de fato. Estado paroquial, mas confortável.
Agora, paira no ar o cheiro de subsidência, que limpa o céu em prenúncio da tempestade que se aproxima: as eleições de outubro. Fico por aqui, de camarote, acompanhando os movimentos de uns e de outros na busca de espaço e na conquista de votos. Não diria do eleitor, exatamente; o normal ali é valorizar o voto, enquanto o votante fica para depois — sempre para depois. É o pessoal anônimo que pavimenta o caminho do poder, sem rosto e sem nome. E para por aí.
Moro, o ex-magistrado, segue faceiro, com vantagem sobre Maurício, o Requião Filho, logo atrás nas pesquisas. Um fenômeno, o agora senador Sérgio, que se acomodou no prestígio da Lava Jato e faz pose de estadista — parte do jogo. Não fala e, quando abre a boca, o timbre de voz não ajuda. Glorinha Beuttenmüller, a fonoaudióloga dos famosos da Rede Globo, poderia dar um jeito, se não tivesse nos deixado no ano passado, aos 89 anos. O dilema de Moro é atroz. Permanecer em silêncio não compromete, mas abre espaço para os concorrentes. Falar — e ele não tem o traquejo das manhas da política — pode abrir contradições perigosas, e os adversários não perdoam. Moro precisa ler a minha crônica "Promova os delegados e reabra o puteiro" para aprender o jogo das concessões e da negociação, se quiser se manter à frente e continuar a avançar.
Maurício, o Requião Filho, saiu ao pai, Roberto Requião. Moço correto, de trajetória limpa, tem passado e presente transparentes, mas exagera na dose do combate. Duro nas palavras e cirúrgico nas ações, precisa moderar o temperamento. O eleitor não gosta de muitas caneladas e costuma ser complacente com eventuais denunciados. O eleitor jovem, então, não está nem aí para contendas cabeludas e vai se divertindo nas redes sociais. Vota porque é obrigado, mas pode atender ao chamado certo, na hora certa, ouvindo o canto da sereia. Maurício pode achar esse canto e, do palanque, fazê-lo chegar aos corações e às mentes de indecisos claudicantes. Mas precisa moderar os ataques e mostrar caminhos e luzes em meio à escuridão da política.
Rafael Greca é o tiozão que eu gostaria de ter na família. Gosto de sua presença nas redes sociais: alegre, bonachão, sempre jovial e até cantante de melodias italianas, o que faz com pequeno alcance de voz, mas performance cênica adorável. Muito reconhecido em Curitiba, ele enfrenta dificuldades nos grotões, mas vem crescendo e cooptando apoios. Falta-lhe, creio eu, caixa suficiente para acelerar o passo e demonstrar sua capacidade de gestor. Inteligente, dono de cultura invejável e ótima presença, Greca sabe se articular e pode até surpreender. Mas acho improvável.
Sandro Alex é o candidato do poder, ungido por Ratinho Júnior, este ora acossado por respingos do Master e por um balde de alguns milhões aparados por empresas da família. Bem avaliado no governo, em que pesem as denúncias do jornalista Formighieri — que conheci e cujo estilo aprecio, em parte —, Ratinho soltou um afilhado, para alguns um flato, que ainda não aparenta condições de enfrentar adversários de musculatura política consolidada. Dinheiro não lhe faltará, e sequer tinta na caneta do governador. Mas Andreazza, com carretas de dinheiro disponíveis, não conseguiu ganhar a eleição para presidente da República, e sequer Eliseu Resende, em Minas, ex-ministro, com apoio federal e os cofres de banqueiros e empreiteiros.
Tony Garcia vem a reboque e com uma mala repleta de denúncias peçonhentas para tumultuar o jogo e tentar o nocaute de um ou de outro no meio do caminho. Não chegará a lugar algum, mas cumprirá o seu papel mediante as vaias de uns e os aplausos de outros tantos.
Álvaro Dias, fadado a ganhar para o Senado, não precisa de propostas. Se fingir uma hepatite e se recolher ao leito, ganha a eleição sem gastar. Francelino Pereira fez isto em Minas e deu certo. Flávio Bolsonaro quer tirá-lo do jogo e lhe ofereceu em troca um ministério, que não tem para entregar, e o futuro ao eleitor pertence. Álvaro é velho de guerra e vai dar corda para o enrolado, que se perde a cada dia em meio à história e histórias.
Requião, o Roberto, também quer se divertir. Tem eleição garantida para a Câmara dos Deputados e vai dar um show de votos, ao contrário de suas tentativas mais recentes.
Enfim, ganhará a eleição o candidato blended: silencioso como Moro, audaz como Maurício, alegre e gentil como Greca, enrustido como Sandro, resiliente como o Roberto Requião e ardiloso como Tony Garcia. Quem se der conta disso e aplicar a fórmula com delicadeza e maestria ganhará a eleição para governador do meu amado Paraná.

Caio Brandão, jornalista mineiro, conhecedor das coisas do Paraná, observa as eleições no Estado.










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