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ETHEL & ERNEST

Crítica de cinema

A sensibilidade da descrição de vidas comuns…


Bem, o autor alerta logo de início. Seus pais tiveram vidas excepcionalmente normais, nada extraordinário irá acontecer, sequer um divórcio - se é que um divórcio merece o adjetivo extraordinário hoje em dia. Ele faz uma homenagem a seus pais, dois ingleses da classe trabalhadora. E dessa homenagem faz uma pequena obra-prima.


É preciso duas advertências, porém: a) se você não gosta de animação ( ainda há adultos que acham animação coisa de criança!? ) nem comece a assistir, claro; b) se você não aprecia o desenrolar de uma história singela, se não é capaz de admirar a poesia dos momentos mínimos, se acha imprescindível alguns socos e tiros também não comece a assistir.


Para os que não se enquadram nas hipóteses acima recomendo veementemente Ethel & Ernest - Animação, 2016 - Autor Raymond Briggs. A história descreve o relacionamento de seus pais, desde que se conheceram até o inevitável fim de todos nós. Naturalmente, o autor também aparece na história, como personagem necessário. Raymond tece a história com sensibilidade e timing incomum, capaz de fazer as pessoas se comoverem com uma história que é rigorosamente ordinária ( no bom sentido ). De quebra, oferece um panorama histórico da Londres das décadas 20 a 60 do século passado, com seu crescimento, com o progresso mudando a vida das pessoas, pontuado por relevantes fatos históricos que são lançados, aqui e ali, formando um contexto para o expectador mais atento.


A qualidade do desenho é igualmente admirável. A opção pela animação clássica, em tons pastel, obteve resultado magnífico. O desenho é realmente bonito. Mereceria ser visto tão somente pela técnica. Transforma uma residência comum de um bairro londrino em algo realmente especial, como deve ser o local que chamamos lar.


Última advertência: se você está entre as pessoas muito sensíveis com relação à morte, se tem dificuldades em aceitar que temos de atravessar a porta em algum ponto, se isso pode lhe fazer mal de algum modo - por exemplo, se for resultar em uma semana de melancolia - não assista aos últimos cinco minutos. Caso contrário, assista. Apenas mais cenas de uma vida comum poeticamente narrada.


Ethel & Ernst - Animação, 2016, Inglaterra/Luxemburgo

Direção - Roger Mainwood

Roteiro - Roger Mainwood ( sobre uma história de Raymond Briggs )

Elenco - Brenda Blenthyn ( Ethel ), Jim Broadbent ( Ernest ) e Luke Treadaway ( Raymond ).


Avaliação : Nota 9

Recomendaçao: Animação para adultos, adultos tranquilos.

Adjetivos: belo, tocante, poético.


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