Julio Covello: A Curitiba em que viajo

Julio Covello: A Curitiba em que viajo

O Micelli costumava tocar nas sextas-feiras, às 6 horas da tarde, na janela do seu consultório de dentista, no 16º andar do Edifício Tijucas. Começou sozinho, para alegrar o fim de expediente de quem passava com pressa pelo Centro, e depois com os amigos músicos. Um dia passei por lá e tirei esta foto. Em frente, na Rua Cândido Lopes, vê-se o Edifício do INSS.

Lembrança da redação e da oficina do Correio de Notícias, anos 80. Ao fundo, Joel Cerizza, repórter com atuação na crônica policial. Na frente, da esquerda para a direita: Alberto Melo Viana (“Baiano”), Pablito Pereira e eu. Muitas histórias no Correio. Alguém precisa contá-las. Quem se habilita?

Esta é uma das raras fotos de Dalton. Estava saindo da revista Quem e me dirigia para o Correio de Notícias, no final do dia. Isso foi em 1984. Encontrei alguns amigos lá no Bar Cometa, em frente à Livraria Ghignone. Dalton estava parado, em frente à livraria, conversando com amigos. Pedi ao pessoal que fizesse uma parede humana para me esconder, pois eu sabia que ele era muito arisco. Eu estava com uma câmara Nikon com uma lente de 300 mm f/4.5, pouco luminosa para o horário. Tive que trabalhar com velocidade baixa, mas deu certo. Ele não percebeu. Alberto Viana também conseguiu um flagrante de Dalton Trevisan, em 2007. Veja a matéria (e a foto) no G1-Paraná clicando aqui.

O maestro Waltel Branco era um homem tranquilo, afável, muito gentil. Um homem cuja doçura transparecia tanto na música instrumental quanto no convívio. Discretíssimo, tinha um único vício, que carregou até seus últimos dias: era um homme à femmes. Quem pode culpá-lo?

O historiador David Carneiro foi um dos criadores da Cinelândia curitibana, que se confunde com a Boca Maldita. Morou no Edifício Eloísa, por ele construído, onde, no térreo, ficava o Cine Ópera, depois a Mesbla, e hoje outras casas de comércio. Esta foto foi tirada na biblioteca de sua casa, na Brigadeiro Franco. Hoje construiram um prédio lá, mas a fachada foi preservada.

No Bar Lá no Pasquale, no Passeio Público, em um sábado de manhã no ano de 1984. Jaime Lerner e Roberto Requião, antes dos grandes embates políticos que marcariam o Paraná, confraternizam. Requião toma Coca-Cola e observa, atento. Lerner, descontraído. Ele costumava tomar um chope.

A vida que corre no piso de petit-pavé da Rua das Flores em 1982. O engraxate atento ao trabalho, o cliente acomodado na poltrona e os observadores da Boca encostados nas portas de ferro, acompanhando os transeuntes diante de um cartaz de cinema.

Um momento e um clique, em junho de 1984. A mulher sentada entre os carrinhos de lixo da Lipater, agasalhada contra o frio do Centro. Estaria com medo de ser levada pelos varredores de rua?

Tenho várias fotos da Praça Osório. Esta cena foi durante uma gincana no final dos anos 1980. Não sei quem é o rapaz com prancha "Pau Brasil", roupa térmica de mergulho e cachimbo à beira do chafariz. Cliquei na hora.
Leia também no Dialéticos:
Boca Maldita e a Democracia: A história e a efervescência política do calçadão mais icônico do Paraná pelas lentes de Julio Covello.
O Avesso da Luz: A poesia em claro-escuro e a sensibilidade documental nos ensaios visuais de Julio Covello.
Os Artistas de Curitiba no Traço de Paixão: Os criadores, boêmios e tipos inesquecíveis da cidade retratados pelo traço irreverente do cartunista Paixão.

Sobre Julio Covello:
Repórter fotográfico de trajetória marcante na imprensa paranaense, passou por redações como as da revista Quem e do jornal Correio de Notícias. Seu acervo visual reúne décadas de história, flagrantes poéticos e a memória humana e arquitetônica de Curitiba. Na foto, Julio no pátio interno do Hotel Nacional, em Havana.











Comentários