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LONGO APRENDIZADO

Atualizado: 7 de nov. de 2020

Cada areia da ampulheta traz um aprendizado; alguns pequenos, outros grandes e a relatividade de tudo isso.


Imagem de Aleksey Kutsar por Pixabay


A vida é um longo aprendizado que, paradoxalmente, passa muito rápido. Não se espante. O tempo é um grande embuste, cheio destas pequenas armadilhas.


  • Aprendi a dividir aí pelos 5 anos de idade, pois tive muitos irmãos;

  • Aí pelos 11 comecei a perder o medo do escuro ( na verdade foi um longo processo em que muito me ajudou o movimento escoteiro );

  • Aprendi que o mundo é um lugar perigoso aos 10 anos, quando vi um colega ter o nariz achatado pelo soco de um valentão. Nesta mesma idade comecei a desenvolver as habilidades para fugir de encrencas;

  • Aí pelos 12 anos, neste mesmo cenário escolar, compreendi como é bom ter irmãos;

  • Comecei a aprender a falar em público aos 13, na formatura de primeiro grau ( meu pai foi meu grande mestre de oratória );

  • Aos 13 descobri como é difícil ser líder, ao me tornar monitor de uma patrulha escoteira;

  • Aí pelos 14, conheci os amores platônicos e sua força absorvente; só muitos anos depois entendi sua inutilidade;

  • Aos 18 rompi com a religião de meus pais;

  • Deixei de tentar ser popular na universidade, aí pelos 19;

  • Nesta mesma idade fui tomado por paixão avassaladora; só muitos anos depois fui entender que o objeto de minha paixão não tinha nada de especial;

  • Conheci a parceira da vida inteira aos 22;

  • Aos 23 tomei contato com as dificuldades do jornalismo e de ser fiel à verdade;

  • Tornei-me responsável aos 25, quando virei pai;

  • Conheci o prazer de lecionar aos 28;

  • Aos 29 conheci as vaidades e incoerências da academia;

  • Aos 30 entendi que o Direito é uma bela profissão, mas é a morte da poesia;

  • Aos 32, com três filhos, compreendi o peso da responsabilidade;

  • Aos 41 resolvi procurar outro rumo na vida;

  • Nesta mesma idade tive de repensar esta decisão, pois entendi a importância da família e novamente da palavra responsabilidade;

  • Ainda aos 41 entendi que a morte pode ser uma benção;

  • Aos 45 aceitei que nem todo mundo precisa gostar de você e que por vezes é preciso afirmação;

  • Aos 47 percebi a ansiedade e comecei a minha luta para controlá-la;

  • Aos 48 compreendi que é preciso ser tolerante com a visão dos outros;

  • Aos 49 que esta tolerância tem limites;

  • Aos 50 percebi a relação de amor e liberdade;

  • Aos 51 percebi que na vida falamos para poucos.


Espero continuar aprendendo, pois o processo nunca chega ao fim. Lutar contra o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a cobiça, o desejo, é aprendizado lento, para mais de uma vida. Toma muito tempo. Mas o tempo é um grande embuste, cheio destas armadilhas.


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