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Ministro Milton Luiz Pereira - Dom Quixote das Araucárias

Milton Luiz Pereira, ministro do STJ, Dom Quixote das Araucárias
Milton Luiz Pereira, ministro do STJ, Dom Quixote das Araucárias

Ministro Milton Luiz Pereira – Dom Quixote das Araucárias


Uma tentação quase irresistível ao apresentar a notícia do livro Ministro Milton Luiz Pereira – Narrativas de uma trajetória exemplar, homenageando o Ministro Milton Luiz Pereira, é contrastá-lo com os edificantes exemplos que pululam no noticiário e nas redes sociais envolvendo figuras das altas cúpulas do Poder Judiciário. Quase irresistível, mas injusto com os personagens e com o próprio Milton Luiz Pereira. Ao falarmos do homem, do político, do juiz, do ministro do STJ, estamos em outro patamar. Não há como comparar pigmeus com gigantes. Façamos neste ponto um obsequioso silêncio.


Os leitores do blog, que na maioria são jejunos em matéria jurídica, devem ser alertados que Milton Luiz Pereira, o juiz, o professor, o político, pertenceu a um tempo em que padrões elevados de conduta eram regra.  E ainda continuam sendo, para a esmagadora maioria dos juízes, promotores, advogados, servidores da Justiça. Trata-se de uma segunda pele advinda do exercício profissional.


Na imprensa, o que dá manchete é o extraordinário. Quem vai se interessar em ler a notícia que o juiz sentenciou de acordo com a lei? Ou que o juiz, ao final do expediente, foi para casa jantar com a família? Ou que o juiz paga suas despesas com o salário que recebe ao final do mês?


Após renunciar ao cargo de Prefeito de Campo Mourão para ser Juiz Federal (depois Ministro do STJ), a população, agradecida, se cotizou e comprou um Fusca para Milton Luiz Pereira, veículo que usou até o final de sua vida.
Após renunciar ao cargo de Prefeito de Campo Mourão para ser Juiz Federal (depois Ministro do STJ), a população, agradecida, se cotizou e comprou um Fusca para Milton Luiz Pereira, veículo que usou até o final de sua vida.

Milton Luiz Pereira nos faz lembrar que a maioria de seus pares vive uma vida distante das manchetes escandalosas.


Eu não tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente. Mas durante boa parte da minha vida tive notícias dele. Amigos advogados, mais velhos, me falavam dele, sempre com alegria e admiração. Alunos seus comentavam suas aulas, seu comportamento, suas tiradas. Os jovens estudantes o admiravam. De pessoas fora do mundo jurídico vinham histórias do homem Milton.


Quando de seu falecimento, no enterro, pude presenciar emocionado o significado de sua vida para todos que o conheceram. O padre que oficiou a cerimônia pediu a todos testemunhos sobre o falecido. E a multidão, aos poucos, começou a falar. Vinham as palavras, timidamente no início, depois em torrente, que os presentes associavam a Milton Luiz Pereira: Amizade. Fidelidade. Honra. Alegria. Seriedade. Probidade. Cultura. Elegância. Justiça. Direito. Cavalheirismo. Honestidade. Amor. Todos estavam emocionados e com os olhos marejados. A perda de cada um era visível.


Nilze Miranda Glus, amiga da Escola Normal de Rizoleta Mary, esposa de Milton, traz uma lembrança que talvez seja mais adequada. Companheira de bancos escolares, e depois de muitos anos distanciadas pela vida, reencontram-se em Curitiba e frequentam juntas a Fraternidade Eucarística, na Igreja do Santíssimo Sacramento, na Avenida Iguaçu.






Milton Luiz Pereira, ministro do STJ, e sua esposa, Mary. A fé sem obras é morta.
Milton Luiz Pereira, ministro do STJ, e sua esposa, Mary. A fé sem obras é morta.

Ela conta que Mary sempre dizia: “Gostaria de rezar mais, mas não tenho tempo. Creio que sou a Marta e não a Maria”. Nilze afastou a preocupação de Mary. Para ela, Mary era ambas: Maria e Marta, a fé e as obras. Nisso, ela relembra aquilo que Tiago havia dito: a fé sem obras é morta.


E assim, afastadas as mundanas preocupações com as manchetes de jornais e as postagens nas redes sociais, podemos resumir a verdadeira comparação a ser feita sobre Milton e Mary: eles uniram as obras e a fé.


Hatsuo Fukuda

 

Narrativas de uma trajetória exemplar, coletânea de textos sobre o Ministro do STJ, falecido, Milton Luiz Pereira, é um chamamento às novas gerações que outro mundo existiu e existe, subterrâneo, aguardando a ressurreição.
Narrativas de uma trajetória exemplar, coletânea de textos sobre o Ministro do STJ, falecido, Milton Luiz Pereira, é um chamamento às novas gerações que outro mundo existiu e existe, subterrâneo, aguardando a ressurreição.

Ministro Milton Luiz Pereira – Narrativas de uma trajetória exemplar 

(Vários autores, Coordenação de Vladimir Passos de Freitas, desembargador federal aposentado)


O livro reúne depoimentos sobre o Ministro. O coordenador, sabiamente – com a chancela da Academia Paranaense de Letras Jurídicas, na época presidida por Luiz Edson Fachin – optou por um livro que abordasse a multifacetada vida do homenageado, fugindo ao lugar comum dos livros destinados apenas ao público jurídico.


Com isso, o homem Milton Luiz Pereira se destaca, mostrando ao grande público aquilo que já era do conhecimento de todos que conviveram com ele. Reúne sessenta e três depoimentos, alguns curiosos, outros emocionantes, nunca tediosos, e o leitor comum terá uma visão por inteiro do personagem.


O livro se encontra na Estante Virtual, Shopee e em várias bibliotecas. Não o achei na Amazon Books, em edição Kindle, o que seria recomendável. As novas gerações vão se surpreender.

 


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