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OS 7 DE CHICAGO

Crítica de cinema

O pungente retrato de um momento histórico.

Imagem de David Mark por Pixabay

Um dos grandes problemas que os americanos enfrentam em seu sistema institucional é a utilização do Ministério Público - um órgão de Estado - para atender aos interesses do governante de plantão. Lá como cá, o Procurador-Geral é escolhido pelo Presidente da República e seu nome submetido ao senado. Aqui, a submissão ao Senado cumpre um papel meramente formal, já que a verificação de uma recusa é impensável.


Os 7 de Chicago - nome dado no Brasil a The Trial of Chicago 7 - é um filme que retrata este problema. Quando os protestos populares contra a guerra do Vietnã atingiram o auge em 1968, uma grande manifestação em Chicago resultou em enfrentamento com as forças policiais, causando centenas de feridos. O caso causou repercussão nacional. Como o país estivesse em ebulição - Martin Luther King e Robert Kennedy tinham sido assassinados, o movimento negro crescia na luta contra o racismo, a guerra do Vietnã ceifava a vida dos jovens americanos - Nixon, recém empossado, queria fazer dos líderes do movimento um exemplo do que acontece com quem desafia as decisões do poder. E aí o Ministério Público entrou com tudo, usando de todas manobras, éticas ou não.


O filme pode ser classificado como drama, mas insere-se também em dois sub-gêneros: histórico e tribunal. Foi indicado ao Oscar de melhor filme este ano, mas perdeu para Nomadland. Teve ainda outras cinco indicações, mas acabou sem estatuetas.

Que o fato de não receber o máximo reconhecimento pela Academia não desestimule o leitor de assistir o filme. Sob todos sentidos, Os 7 de Chicago merece ser visto. O roteiro é primoroso e, até onde sei, respeita a historicidade dos fatos ( o que sempre é um problema, em filmes históricos ). A direção é competente, assim como a fotografia ( embora sem brilho especial ). E o elenco, que não conta com nenhuma estrela de primeira grandeza, trabalha muito bem. Tudo junto, o filme funciona perfeitamente.


Mas talvez - no nosso sofrido Brasil de hoje - a melhor razão para assistir o filme é entender como o poder tenta aparelhar o Estado e como isso pode ser nocivo para a sociedade. Vivemos em nosso país uma situação bem similar, pois a Procuradoria Geral da República está de joelhos e Augusto Aras comporta-se como um preposto de Bolsonaro. Assista e diga se tenho ou não razão.


Os 7 de Chigago, EUA, 2020, 129 minutos.

Direção: Aaron Sorkin

Roteiro: Aaron Sorkin

Elenco: Eddie Redmayne ( Tom Hayden ), Joseph Gordon-Levitt ( Richard Schultz ), Sacha Baron Cohen ( Abbie Hoffmann ), Yahya Abdul-Matten II ( Bobby Seale ), Mark Rylance ( William Kunstler ) e Jeremy Strong ( Jerry Rubin ).


Avaliação: Nota 8

Recomendação: Importante para a compreensão do nosso momento político. Recomendado para quem busca informação histórica e gosta de filmes de Tribunal.

Adjetivos: Estimulante, envolvente, emocionante.

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