Primeiro de Maio, Dia do Azar em São Mateus do Sul
- GERSON CESAR SOUZA
- há 17 horas
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APRESENTAÇÃO
Gerson Cesar Souza tem um vasto currículo em Administração de Empresas, História, Filosofia e Sociologia, com passagens pela PUC-RS, UFRJ, Harvard Business School e Ludwig-Maximilians – Universidade de Munique, além de ganhar a vida como funcionário da Petrobrás, mas para nós ele é principalmente um poeta, dramaturgo e romancista e um estudioso da imigração polonesa no Paraná, tendo recebido a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, concedido pela República da Polônia. Seus livros estão disponíveis na Amazon Books. Nossos leitores o conhecem pelo livro O Imortal Coronel Bodziak, aqui comentado.
Nesta crônica, ele lembra o Primeiro de Maio de 1912 de São Mateus do Sul, quando da chegada do primeiro juiz da comarca.
(Redação)
Primeiro de Maio, Dia do Azar em São Mateus do Sul
Gerson Cesar Souza
Quando São Mateus foi emancipada, em 1908, o dia do trabalhador ainda não era feriado (nem no Brasil e nem em qualquer país do mundo), mas as mobilizações de trabalhadores já eram suficientes para fazer desta uma data simbólica. Por isso, quando a lei 11/1909 determinou a denominação das primeiras ruas da cidade, não foi surpresa o fato de que a atual Avenida Ozy Mendonça de Lima recebeu o nome de “Primeiro de Maio”. Mas essa nomenclatura duraria só sete anos. Em 1916 a “Primeiro de Maio” passaria a se chamar “Cândido de Abreu”. Só que os vereadores não esqueceriam o “dia do trabalho” e, a mesma lei 60/1916 que tirava seu nome da (atual) avenida principal, definiria que uma rua lá no “final da cidade”, a última antes do cemitério, se chamaria “Primeiro de Maio”.

Mas o povo de São Mateus deveria ter motivos para comemorar o Primeiro de Maio. Foi em 1912 que o município teve a instalação da Comarca, e a data escolhida para o evento foi exatamente o primeiro de maio. Mas o dia seria repleto de confusões. A primeira decepção ocorreu porque o Governador (na época “Presidente do Estado”) havia anunciado a presença e não apareceu, para frustração do povo. E, falando em frustração, a data prometia.

No dia anterior ao evento, o alferes José de Almeida havia sido o responsável por ornamentar as ruas da cidade. Flores, folhagens, bandeiras e tudo o mais que se podia imaginar foi disposto pelas vias de São Mateus, a fim de impressionar as autoridades que vinham da capital. Mas durante a noite um forte temporal acabou com toda a decoração. Quando amanheceu, a cidade era apenas lama. Mesmo assim a população se mobilizou para esperar a chegada do juiz de Direito, Dr. Eudoro d’Albuquerque, que faria a instalação da Comarca, mas até a chegada dele mostraria as agruras daquele primeiro de maio...
Informações desencontradas diziam que ora ele estaria chegando por vapor, ora chegaria pela “via de Triumpho”. E a cada uma destas informações, a multidão, a banda e as autoridades (padre, prefeito etc...) se deslocavam para o porto ou para a estrada de Triunfo, num cômico vai-e-vem à espera do Juiz. E tudo isso na chuva, que não parava!

Finalmente chegou um vapor. A banda imediatamente começou a tocar. Os fogos de artifício, mesmo molhados, estouraram com força, o prefeito já preparava o discurso quando descobriu que o Juiz não estava a bordo. Quando a população se dissipou desanimada, chegou calmamente o vapor Tupy, trazendo o tal Juiz, que acabou sendo recebido por meia dúzia de pessoas.
Por fim, a Comarca foi instalada no dia primeiro de maio.
E aquela ruazinha no final da cidade, que em 1916 ficou com o nome do dia do trabalho, anos depois passaria a se chamar “Rua Agenor Nascimento”, e o Primeiro de Maio sumiria do mapa de São Mateus.

Gerson Cesar de Souza, estudioso da imigração polonesa no Paraná, tem seus livros na Amazon Books. Não seja muquirana e compre. Nunca é tarde para aprender.








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