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REPUBLICANDO CURITIBANICES: MARCAS CURITIBANAS

O tempo passou, voou, e elas não ficaram numa boa, mas ainda lembramos delas com carinho.


IImagem de Hans Benn por Pixabay

Houve um tempo em que Curitiba era muito identificada com suas marcas. Um tempo anterior à globalização, tempo em que éramos, citando Fukuda ( que cita Dalton Trevisan ), ainda mais província, cárcere, lar. A realidade dos grandes centros - São Paulo e Rio - só nos chegava pela telinha preto-e-branco ( colorida para poucos ) da televisão. A realidade do estrangeiro era aquela que nos impunha Hollywood.


Nesses tempos dos 700.000 habitantes, massa era Todeschini, salgadinhos era Tip Top e loja que vende de tudo era HM. Alguém lembra da decoração de natal da Hermes Macedo cruzando em arco sobre a Barão do Rio Branco? Ou do icônico herói da publicidade que combatia os vilões do preço alto conhecido como Kid Malu? A publicidade era bem fraquinha, mas até hoje é citada como case de sucesso.


Banco era apenas um: Bamerindus. Embora tenha nascido em Tomazina, o Bamerindus era o mais curitibano dos bancos. Acreditávamos piamente que o Bamerindus atravessaria incólume a marcha dos anos:



O tempo passa

O tempo voa

E a poupança Bamerindus continua numa boa…



Não continuou. Acabou em 1997 deixando nesta província a mensagem inversa: tudo passa, tudo voa… Qualquer um que reflita um pouco sobre o efêmero, sobre nossa precária conjunção de átomos de carbono, nitrogênio, oxigênio e hidrogênio ( e um tiquinho de cálcio, enxofre, fósforo… ), entende que a lição a ser aprendida é exatamente esta. Tudo passa. Por mais vaidoso que você possa ser de suas conquistas pessoais, em três gerações, se muito, ninguém se lembrará de você e seus grandes feitos. Homero, Gilgamesh, o I Ching, dirá você? Que são os cinco mil anos das pirâmides na escala do tempo da própria terra, se não a queda de uma flor de ipê no setembro curitibano?


Ainda assim, em nossas sensações/sentimentos mais ternos reside a nostalgia. Aquela doce lembrança de algo bom do passado, que nos põe um riso leve e triste nos lábios, mais associada ao anseio pela juventude que qualquer outra coisa. E ali nos vem à memória o Mercadorama Demeterco, as Lojas Prosdócimo, o Matte Leão... Todas marcas vencidas pela crueza da roda, mas incrustadas em qualquer curitibano genuíno.


Claro, ainda temos sobreviventes bem sucedidas, todas na onda das franquias. Assim O Boticário, assim o Madero… Embora o brilho de sucesso e a reconhecida qualidade dos seus produtos, alguma coisa lhes falta. Uma cobertura de pátina, uma ruga discreta no canto dos olhos, qualquer coisa que a lance lá no passado, no tempo em que éramos jovens e sonhadores.


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