Duas Anas, Duas Revoluções, Dois Continentes
- GERSON CESAR SOUZA

- 30 de jul.
- 3 min de leitura

Nota do Editor: É com grande satisfação que recebemos novamente em nosso espaço o escritor e pesquisador Gerson Cesar Souza. Neste artigo, ele nos apresenta um paralelo sofisticado entre a célebre Anita Garibaldi e a pioneira paranaense Anna Bodziak.
Há, contudo, um bastidor tocante nesta publicação: enquanto Anita foi imortalizada em bronzes e telas europeias, a pesquisa histórica do autor não conseguiu recuperar imagens de Anna Bodziak. Em uma época em que a imagem era um privilégio reservado às funções públicas dos homens, a trajetória de Anna — que geriu os negócios da família sob o fogo da Revolução Federalista e criou 14 filhos — permaneceu preservada apenas nas descrições de jornais da época e na memória familiar.
Ao resgatar seu nome, este texto realiza uma justa reparação cultural, mostrando que a história muitas vezes se constrói no silêncio da retaguarda. Boa leitura!
Duas Anas, Duas Revoluções, Dois Continentes
Por Gerson Cesar Souza
Muitos brasileiros visitam a Itália e passam por este monumento, em Roma, sem saber que a mulher representada na estátua, com um bebê num braço e uma arma no outro, é uma brasileira. Anita Garibaldi nasceu em Santa Catarina, participou da Revolução Farroupilha (1835-1845) e depois foi para a Itália, onde seu marido, Giuseppe Garibaldi, foi herói da Unificação Italiana.
Numa comparação simplória, São Mateus do Sul também teve sua Anita... Anna Reckziegel morava em Santa Catarina (como Anita) quando conheceu o futuro revolucionário Antônio Bodziak, que se tornaria o coronel do Batalhão Polaco. Anita tinha 18 anos quando fugiu com Garibaldi, e Anna também tinha 18 anos quando fugiu com Bodziak para se casar.

Em janeiro de 1840 Anita enfrentou a terrível batalha de Curitibanos, na Revolução Farroupilha. Em janeiro de 1894, Anna Bodziak sofreu com as batalhas travadas em São Mateus durante a Revolução Federalista.
Quando sua casa foi atacada, em Laguna, Anita escapou montada a cavalo, com o filho de 12 dias no colo (cena retratada no monumento).
Quando sua casa foi atacada em São Mateus, Anna Bodziak escapou também cavalgando, com um bebê em sua frente e a pequena Helena em sua barriga (Helena nasceria menos de um mês depois).

E se Anita mereceu uma estátua em Roma, Anna Bodziak mereceu rasgados elogios de um jornal polonês em 1906, chamando-a de "uma mulher de incrível energia", pois enfrentou a revolução, administrou os negócios na ausência do marido e foi mãe de 14 filhos.
Ah... Ia esquecendo um detalhe: o verdadeiro nome de Anita era Ana...
Mais uma coincidência.
Um brinde às mulheres guerreiras!

As descrições históricas sobre a trajetória de Anna e Antônio Bodziak que inspiraram este artigo integram a obra de Gerson Cesar Souza, O Imortal Coronel Bodziaki, disponível para os leitores na Amazon Books.
Gerson Cesar Souza é Administrador, com pós-graduações em História, Filosofia e Sociologia (PUC-RS), Responsabilidade Social & Terceiro Setor (UFRJ) e Gestão de Negócios (Fundação Dom Cabral). Tem especializações em Negociação pela Harvard Business School e Estratégia Competitiva pela Ludwig-Maximilians-Universität München.
Poeta, dramaturgo e romancista, é autor dos livros Mochila de Versos (2001), Dons diVersos (2012), A Estrela de Jacó (2014), O Imortal Coronel Bodziak (2016) e Roberto Angewitz, o Feiticeiro do Xisto (2023), estes três últimos com biografias de figuras importantes da colonização polonesa no Paraná.
Pesquisador dedicado à imigração polonesa, Gerson é sócio honorário da Casa da Cultura Polônia-Brasil, e foi reconhecido em 2019 com a Medalha da Ordem do Mérito Cultural, concedida pela República da Polônia.










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