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Josefina Biscaia, guia de turismo em Curitiba

O Centro Histórico de Curitiba na década de 1970, período em que a cidade começava a desenhar sua identidade urbana antes do boom turístico de massa.
O cenário do início de tudo: O Centro Histórico de Curitiba na década de 1970, período em que a cidade começava a desenhar sua identidade urbana antes do boom turístico de massa. (Foto: Arquivo Histórico/Divulgação)

Nota do Editor: uma análise sobre a trajetória de Josefina Biscaia e o turismo em Curitiba

Sob a nossa famosa névoa matinal e o charme dos dias cinzentos, Curitiba hoje abraça mais de 10 milhões de visitantes por ano, movimentando R$ 13,8 bilhões — cerca de 11,5% de toda a nossa riqueza (PIB). Mas antes do boom dos anos 90, antes da estufa de vidro do Jardim Botânico virar postal e da Ópera de Arame brotar na pedreira, a nossa capital precisou de pioneiros que ensinassem o Brasil a enxergar a nossa beleza. No artigo a seguir, Arthur Virmond de Lacerda Neto resgata a história de Josefina Biscaia, a fundadora da Associação de Guias de Turismo do Paraná (AGTURB PR). Uma leitura essencial, nostálgica e documental sobre os bastidores da nossa identidade e o orgulho de acolher.


JOSEFINA BISCAIA, GUIA DE TURISMO


Arthur Virmond de Lacerda Neto

 

Josefina Maria Castellano Biscaia era natural de Curitiba, onde nasceu em 1945; pertencia à classe média, originária de família local, luso-brasileira, e antiga por seu costado paterno, e de imigrantes polacos, alemães e italianos por via de sua genitora.


Estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Curitiba; em 1956, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro (então capital federal), acompanhando seu genitor (Antônio Chalbaud Biscaia), que então assumiu cadeira de deputado federal pelo Paraná.


Josefina Biscaia em registro da década de 1960, época em que se diplomou como normalista pelo Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Josefina Biscaia em registro da década de 1960, época em que se diplomou como normalista pelo Colégio Sagrado Coração de Jesus. (Foto: Arquivo Pessoal)

De regresso a Curitiba, prosseguiu estudos; tirou curso de normalista (do próprio Colégio Sagrado), que formava professoras primárias. Diplomada em 1963, lecionou para algumas turmas, substitutivamente, mormente no Grupo Escolar Barão do Rio Branco.


Segundo ela própria contava, fora aprovada em concurso público para professora da rede estadual de ensino, porém não nomeada, na gestão do então governador Ney Braga, motivo porque lhe tinha zanga e se referia por “Ney Praga”.


Entrou a atuar como guia de turismo em Curitiba, mister que já exercia em 1978, ano em que tirou o primeiro curso de guias de turismo que se fez no Paraná (por iniciativa do Senac). Nele estabeleceu  contactos com seus professores, todos integrantes dos meios oficiais do turismo do Paraná.


Registro de imprensa de Josefina Biscaia na década de 1980, período em que presidiu e consolidou a AGTURB PR no cenário paranaense.
Registro de imprensa de Josefina Biscaia na década de 1980, período em que presidiu e consolidou a AGTURB PR no cenário paranaense. (Foto: Reprodução/Media Local)

Na era de 1980, os guias de turismo do Brasil passaram a organizar-se, na forma de associações estaduais. Josefina foi credenciada pelo então presidente da Paranatur (Ernesto Valente Gubert) como representante da mesma empresa no primeiro congresso de guias de turismo do Brasil, celebrado então na cidade de São Luís do Maranhão, e em que simbolicamente tomou posse como presidente da Associação de Guias de Turismo do Brasil, secção do Paraná (AGTURB PR), por criar e que, deveras, fundou-se aos 18 de outubro de 1980, em Curitiba, presentes vários guias de turismo. A fundação decorreu na sede do Círculo de Marumbinistas de Curitiba.


Josefina presidiu à Associação de Guias do Paraná até 1985. Durante seu mandato afiliaram-se-lhe para mais de 125 guias, posto que a filiação passou a ser condição legal do exercício do mister guiador. Tanto ela quanto a AGTURB PR era prestigiadas nos media local: Gazeta do Povo e Jornal da Indústria e Comércio do Paraná publicaram, no todo, 70 notas e matérias, relativas a uma e à outra.


Foi assaz importante que na gestão de Josefina empreenderam-se sete cursos de guia de turismo, destinados a preparar os guias em teoria e na prática; ela própria lecionava Ética e Técnica Profissional. Com isto, operou-se importante melhoramento no exercício profissional dos guias do Paraná, que de meros práticos, passaram a ser qualificados, com evidente benefício dos deambulistas que visitavam sobretudo Curitiba e Foz do Iguaçu.


De entre seus colaboradores naquela fase, salientam-se Cleide Caressato e Loreno Hagedorn (da Associação), Rosana Bettega Neiva de Lima (da Paranatur), Yves de Assis Chevalier e Rosy de Sá Cardoso (noticiaristas). Outros nomes relacionados, direta ou indiretamente ao meio turístico paranaense da altura são Ernesto Valente Gubert, Sidney Catenacci, Tércio Albuquerque, Adalberto Daros, Celso Caron.


Nos anos 1990 Josefina colaborou de perto com Ivone Mello, então presidente da AGTURB PR. Graças à agência de ambas realizou-se em Curitiba o XI Congresso de Guias de Turismo do Brasil.


Josefina exerceu como guia de turismo por cerca de 24 anos, até 2002, quando cirurgia cefálica deixou-lhe seqüelas em razão das quais cessou de guiar deambulistas; contudo manteve-se atenta aos negócios da AGTURB PR, com cuja presidente Lílian Kolm Mota colaborou.


Josefina em momento de descontração na intimidade do lar, em Curitiba.
Josefina em momento de descontração na intimidade do lar, em Curitiba. (Foto: Arquivo Pessoal)

De então por diante levou vida caseira, entretida com seus filhos e netos, com pinturas artesanais e com leituras muitas. Aliás, eram-lhe característicos o amor dos livros e da leitura. Faleceu em 2021.


Suas vida e atuação acham-se documentados no livro “Josefina Biscaia, guia de turismo”, da autoria de Arthur Virmond de Lacerda Neto, publicado em junho de 2026. Com 360 páginas e muitas ilustrações, constitui resgate da memória de Josefina e de parte da história dos guias de turismo e do turismo do Paraná.  Produto de pesquisas em fontes primárias e na prosopografia, contém ricos depoimentos da própria Josefina, de Loreno Hagedorn, de Rosana Neiva de Lima, de Vera Biscaia Leme e do autor.


Arthur Virmond de Lacerda Neto, graduou-se em Direito pela UFPR. é Mestre em Direito pela Universiade de Lisboa. Professor de Direito Romano e História do Direito, cultor da língua portuguesa, é autor de vasta obra de pesquisa em história paranaense.

 Sobre o Autor

Arthur Virmond de Lacerda Neto é bacharel em Direito pela UFPR (1990) e mestre em História do Direito pela Universidade de Lisboa. Professor de Direito por 25 anos (com passagens marcantes pela UFPR e Uninter), especializou-se em Direito Romano e História do Direito. Cultor do purismo da língua portuguesa e investigador infatigável de fontes primárias, Arthur transformou décadas de pesquisa em uma prolífica obra que resgata a memória e a história local paranaense.


Outras Obras do Autor


Além da biografia de Josefina Biscaia, sua vasta produção intelectual inclui títulos como:

  • História e Memória: Revelações do cerco da Lapa (2025) e As ouvidorias no Brasil colônia (2000).

  • Língua Portuguesa: Educação lingüística: Retificação de vícios de linguagem (2022).

  • Direito Romano: Herança do Direito Romano (2020) e Direito Penal Romano (2013).

  • Filosofia e Ensaios: A república positivista (2003) e Provocações (2004).


Como Adquirir


Para os apaixonados pela história da nossa terra, a nova obra constitui um verdadeiro abraço na memória coletiva de Curitiba. Garanta o seu exemplar de Josefina Biscaia, guia de turismo (R$ 70,00) ou consulte a disponibilidade dos demais títulos:

 

 

 

1 comentário


Maria Teresinha Furtado
há uma hora

Ótimo ler sobre uma grande amiga , que foi embora muito cedo. Parabéns Arthur pela homenagem aà sua mãe Josefina .

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